19 de Novembro de 2007 / às 18:47 / em 10 anos

ANÁLISE-Aceleração da inflação e riscos à expansão preocupam BCs

Por Gordon Bell

CIDADE DO CABO, 19 de novembro (Reuters) - O aumento dos riscos ao crescimento global e a aceleração da inflação, impulsionada pela escalada dos preços dos combustíveis e dos alimentos, soaram o alarme entre os principais bancos centrais do mundo.

Ainda que a tendência principal para o crescimento continue sendo moderadamente positiva, a preocupação, em meio à volatilidade do mercado financeiro, perpassou os três dias de reuniões na África do Sul e pareceu estar na agenda mundial --até mesmo no topo, talvez.

“É uma preocupação que está aumentando”, disse Sarah Hewin, economista do American Express Bank, em Londres.

“Os preços das commodities têm subido, os do petróleo estão muito mais altos do que qualquer um poderia imaginar e certamente muito acima do que qualquer autoridade monetária teria previsto... podemos esperar uma expansão menor em 2008.”

A cúpula anual do Grupo dos 20, composto por economias industrializadas e emergentes, pediu no final de semana uma reequilíbrio dos desarranjos econômicos mundiais diante dos maiores riscos ao crescimento e ao cenário de inflação.

“As autoridades monetárias dos países do G20 vão precisar avaliar cuidadosamente as perspectivas de inflação à luz tanto das condições apertadas nos mercados de commodities quanto dos riscos ao crescimento”, afirmou o grupo em comunicado emitido no domingo, ao final de dois dias de encontros em Kleinmond, próximo à Cidade do Cabo.

O sentimento ecoou na segunda-feira quando Jean-Claude Trichet --presidente do Banco Central Europeu e líder de um grupo de membros de BCs que realizou um encontro separado na Cidade do Cabo-- ressaltou que a maior probabilidade de mudança no cenário de crescimento é para uma desaceleração.

As pressões inflacionárias não dão espaço para uma postura complacente, acrescentou.

A contaminação da crise de crédito global, disparada por um forte aumento da inadimplência nas hipotecas de alto risco dos Estados Unidos, afetou as projeções de crescimento na maior economia do mundo e ajudou a derrubar o dólar para os menores níveis da história ante uma cesta de moedas .DXY.

Já os preços das commodities estão nas máximas, com o petróleo perto de 100 dólares por barril, e o custo dos alimentos estão aumentando em todo o mundo.

“Vamos todos dividir a apreensão de que a instabilidade dos preços oriundos dos dois fenômenos, alimentos e energia, são preocupações muito profundas”, disse o ministro das Finanças da África do Sul e ex-chairman do G20, Trevor Manuel, após a cúpula do grupo.

As pressões gêmeas têm alimentado a inflação, particularmente nos mercados emergentes, onde os altos juros podem ameaçar o até agora resistente crescimento.

“Há uma preocupação global com a inflação no momento, com a alta dos preços de energia e alimentos, então não é muito surpreendente que isso tenha ocorrido (que o G20 tenha mantido o foco sobre a inflação)”, disse Mitul Kotecha, diretor de pesquisa sobre câmbio da Calyon.

Reportagem adicional por Marius Bosch e Toni Vorobyova, em Londres

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