19 de Setembro de 2008 / às 18:28 / 9 anos atrás

ANÁLISE-BC quer medir apetite do mercado com leilões de dólar

Por Silvio Cascione

SÃO PAULO, 19 de setembro (Reuters) - A venda de dólares pelo Banco Central com compromisso de recompra restaurou o funcionamento do mercado de câmbio nesta sexta-feira, segundo analistas, e permitiu que a moeda norte-americana acompanhasse a euforia internacional com queda ao redor de 5 por cento. A intenção do BC, agora, é saber a real necessidade de financiamento em moeda estrangeira.

"Teve um incêndio. Agora, começa o rescaldo", disse um profissional do departamento de câmbio da corretora Concórdia, que preferiu não ser identificado.

No primeiro leilão, entre 11h30 e 12h, o BC vendeu apenas 40 por cento da oferta total de 500 milhões de dólares.

Para o analista, isso pode ter ocorrido porque parte do mercado não quis se comprometer com a devolução futura dos dólares ao BC por uma taxa perto da atual, já que a incerteza nos Estados Unidos poderia elevar a cotação da moeda norte-americana nos próximos 30 dias.

Após o resultado da operação, o BC decidiu fazer um segundo leilão nesta sexta-feira, ofertando os 300 milhões de dólares restantes.

"O BC está medindo o exato apetite do mercado", disse. A operação ocorre até 15h30, com resultado a partir das 16h.

Para Sidnei Nehme, diretor-executivo da NGO Corretora, a venda de dólares é um "tiro certeiro" na especulação.

Na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F), os estrangeiros já tinham quase 7 bilhões de dólares em posições compradas em derivativos cambiais, o que equivale a uma aposta na alta do dólar frente ao real.

"Certamente, as perdas dos especuladores não serão pequenas", afirmou o diretor.

Analistas do banco de investimento Goldman Sachs deixaram claro também que a operação não é uma venda líquida, pois o BC assume o compromisso de recompra dos dólares e, portanto, ela não deve interferir na tendência de longo prazo do câmbio.

"Isso não deve ser visto como uma tentativa de definir um teto para a taxa de câmbio nominal. Isso é simplesmente voltado para a restauração da liquidez e do funcionamento normal do mercado de câmbio", escreveram em relatório.

Em nota divulgada na véspera, o Banco Central afirmou a decisão de "emprestar" dólares ao mercado tem caráter temporário e reafirmou que "não existe meta para a taxa cambial, seja com fixação de tetos ou pisos".

Às 15h15, o dólar BRBY desabava 4,74 por cento, para 1,830 real. Na mínima do dia, a moeda norte-americana chegou a cair 5,36 por cento, cotada a 1,818 real.

Na véspera, a escassez de crédito em moeda estrangeira foi citada como justificativa para a disparada do dólar a 1,96 real no meio do dia.

Edição de Daniela Machado

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