19 de Maio de 2008 / às 18:17 / em 9 anos

ATUALIZA2-Grupo da Suez leva Jirau e promete antecipar geração

(Texto atualizado com mais informações e declarações)

Por Isabel Versiani

BRASÍLIA, 19 de maio (Reuters) - O consórcio Energia Sustentável do Brasil, liderado pela Suez Energy, venceu nesta segunda-feira o leilão de concessão da hidrelétrica de Jirau, no Rio Madeira, usina que terá capacidade instalada de 3.300 megawatts, e prometeu iniciar as operações antes do previsto.

O consórcio --que também inclui Camargo Corrêa, Eletrosul e Chesf-- ofereceu preço de 71,40 reais por megawatt hora (MWh) no lance vencedor do leilão, o que significa um deságio de 21,5 por cento sobre o preço inicial de 91 reais por MWh.

Jirau é a segunda hidrelétrica do Complexo do rio Madeira, em Rondônia. A primeira unidade, Santo Antônio, foi leiloada em dezembro do ano passado e o consórcio Madeira Energia, liderado por Odebrecht e Furnas, foi o vencedor, com lance que significou deságio de 35 por cento sobre o preço inicial.

Analistas esperavam por forte competição no leilão, mas previam um deságio menor, de aproximadamente 10 por cento.

O consórcio perdedor nesta segunda tinha a mesma formação do grupo que venceu o primeiro leilão, contando, além de Odebrecht e Furnas, com Andrade Gutierrez, Cemig e um fundo de investimentos dos bancos Banif e Santander.

A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) não divulgou o preço oferecido pelos perdedores, mas a diferença em relação ao consórcio vencedor certamente foi superior a 5 por cento, uma vez que as regras do leilão exigiam que uma diferença inferior a esse limite levaria a outra rodada de ofertas.

“O deságio é resultado de otimizações planejadas pelos sócios com base em estudos técnicos que permitirão a antecipação da geração, menores custos e menores impactos ambientais”, afirmou em nota o presidente do consórcio vencedor, Victor-Frank Paranhos.

Segundo ele, as mudanças feitas pelo consórcio no projeto original da usina possibilitarão uma redução de 1 bilhão de reais no custo da obra civil. Ainda assim, questionado sobre o valor total do projeto, Paranhos afirmou, em entrevista à imprensa, que ele ficará “um pouco superior” ao avaliado pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE), de 8,7 bilhões de reais.

Paranhos afirmou que o projeto do seu consórcio prevê a construção da usina 9 quilômetros abaixo do local no rio Madeira inicialmente previsto, o que implicará uma redução substancial nas escavações em rocha a serem feitas, com reduções de custo e de impacto ambiental.

AGILIDADE PARA LICENÇA

A Suez informou que pretende antecipar o início de operações da usina de janeiro de 2013 para março de 2012, “ampliando a oferta de energia elétrica para o Brasil”.

“A meta é iniciar a construção o mais rápido possível, logo após a emissão da licença de instalação”, acrescentou a companhia na nota.

Paranhos disse que o consórcio pretende entregar seu projeto ambiental ao governo ainda em maio e a expectativa é que a licença para a instalação do canteiro seja concedida em agosto, quando as obras seriam então iniciadas.

O ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, disse ter “uma esperança muito grande” de que a mudança no comando do Ministério do Meio Ambiente acelere o processo de licenciamento da obra.

“A ministra (Marina Silva) é uma querida amiga minha, colega no Senado, mas ela era bastante exigente nesses licenciamentos”, disse Lobão a jornalistas. “Eu espero que o novo ministro possa ter uma compreensão maior para a necessidade de rapidez nessas decisões.”

O presidente da Suez Energy Brasil, Maurício Bahr, informou que os sócios do consórcio já subscreveram 2,5 bilhões de reais em capital na companhia, e o restante será viabilizado via financiamento do BNDES.

Questionado se o BNDES poderá virar um sócio do consórcio, Paranhos disse estar aberto a negociações.

“Mas não dependemos de sócio estratégico para iniciar as obras”, frisou. Segundo ele, a abertura do capital da nova empresa só ocorrerá a partir de 2012 ou 2013, após o início da geração.

As duas usinas do Madeira são consideradas fundamentais para garantir o suprimento de energia elétrica no Brasil a partir de meados de 2013.

No total, a usina de Jirau terá 44 unidades geradoras. A previsão inicial era de que a hidrelétrica estaria operando com capacidade total até outubro de 2016.

Do total de energia gerada, 30 por cento será vendida no mercado livre, no qual os preços são definidos em leilão, e 70 por cento será vendido ao preço de 71,37/MWh.

Confira abaixo a formação do consórcio vencedor: CONSÓRCIO ENERGIA SUSTENTÁVEL DO BRASIL EMPRESA PARTICIPAÇÃO Suez Energy South America Participações Ltda. 50,1% Camargo Correa Investimentos em Infra-Estrutura S/A 9,9% Eletrosul Centrais Elétricas S/A 20% Companhia Hidro Elétrica do São Francisco - Chesf 20%

Edição de Marcelo Teixeira e Camila Moreira

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