20 de Maio de 2008 / às 20:40 / em 9 anos

Dívida mobiliária cai em abril com elevação dos juros

Por Isabel Versiani

BRASÍLIA (Reuters) - A escalada dos juros no mercado futuro em meio à piora do cenário inflacionário contribuiu para uma redução da dívida doméstica do governo federal e para uma piora do perfil dos vencimentos em abril, afirmou o Tesouro Nacional nesta terça-feira.

A elevação da confiança do investidor estrangeiro no Brasil nos últimos meses, por outro lado, afetou a estratégia do Tesouro de recomprar títulos da sua dívida externa.

A dívida mobiliária interna caiu 2,5 por cento e somou 1,218 trilhão de reais no mês passado. O movimento refletiu um resgate líquido de 43 bilhões de reais em papéis da dívida, que compensou parcialmente a apropriação de juros de 11,6 bilhões de reais no mês.

O coordenador-geral da Dívida Pública, Guilherme Pedras, afirmou que, diante da elevação dos juros, o Tesouro optou por reduzir a emissão de títulos ao longo de um mês em que os resgates já tendem a ser elevados diante da concentração de vencimentos.

“Ao longo do mês, as taxas de juros se elevaram e o Tesouro optou por fazer leilões mais conservadores”, afirmou Pedras a jornalistas.

As emissões do Tesouro somaram 27 bilhões de reais, com concentração nos papéis atrelados à taxa Selic (47 por cento).

A parcela do estoque dos papéis prefixados, considerados melhores para o gerenciamento da dívida, caiu de 36,26 por cento em março para 34,0 por cento em abril.

No mesmo período, a participação dos papéis atrelados à Selic sobre o total aumentaram de 36,51 para 38,41 por cento e os corrigidos por índices de preços subiram de 27,39 para 27,63 por cento.

A dívida cambial ficou negativa em 2,17 por cento em abril, ante 2,24 por cento em março.

O estoque da dívida fechou o mês com prazo médio de 41,65 meses, ante 40,26 meses em março.

PROGRAMA DE RECOMPRA DESACELERA

O Tesouro informou, ainda, que em março e abril foram recomprados títulos da dívida federal externa no valor de 278,6 milhões de reais (valor de face).

O número é bem inferior às recompras feitas no primeiro bimestre, de 629 milhões de reais.

Pedras afirmou que o comportamento refletiu uma elevação dos preços dos papéis brasileiros em meio a um aumento da confiança dos investidores com o país, tendência que tende a ser reforçada com a concessão do grau de investimento no final de abril.

Ele acrescentou que, com a continuidade do programa de recompra, a tendência é que caia o estoque de papeís brasileiros em oferta.

“O investment grade faz com o que o investidor fique mais confortável com a sua posição em Brasil”, disse Pedras. “É possível que isso tenha feito o investidor diminuir a oferta de títulos para o Tesouro”.

Ele argumentou que a emissão feita pelo Tesouro no início deste mês --525 milhões de dólares em bônus com vencimento em 2017-- pode abrir espaço para que investidores recomponham seus ativos em Brasil.

O programa de recompra do país tem como objetivo melhorar o perfil da dívida do país, com o cancelamento de papéis de baixa liquidez e avaliados como caros para o Tesouro.

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