20 de Fevereiro de 2008 / às 14:40 / em 10 anos

Petrobras compra óleo leve para abastecer refinaria no Japão

Por Maryelle Demongeot

CINGAPURA (Reuters) - A Petrobras adquiriu o primeiro carregamento de petróleo leve para abastecer a refinaria de Nansei Sekiyu KK, no Japão, que deve ser controlada pela companhia brasileira a partir de março, segundo fontes próximas às negociações na quarta-feira.

Segundo o diretor de Abastecimento da Petrobras, Paulo Roberto Costa, a partir de agora a estatal fará compras regulares de petróleo leve para a refinaria.

“Como a gente está assumindo oficialmente a refinaria em abril, já colocamos nossos negociadores em campo, reforçamos a equipe e vamos regularmente ao mercado”, disse Costa à Reuters no Brasil, sem dar detalhes.

A estatal comprou 650 mil barris de petróleo da Austrália por meio da trading japonesa Mitsubishi, com embarque previsto para abril e prêmio de aproximadamente 1 dólar o barril sobre o petróleo Tapis --referencial na Ásia.

A Petrobras também adquiriu da estatal argelina Sonatrach um carregamento de petróleo Saharan Blend com embarque para abril. A empresa africana aluga tanques de armazenagem na Coréia do Sul. Informações sobre preços e volume ainda não foram divulgadas.

A Petrobras, responsável por uma produção de quase 2 milhões de barris de petróleo por dia no Brasil, raramente compra a commodity nos mercados asiáticos, nos quais, em geral, vende o produto, principalmente para a China.

A Petrobras adquiriu uma participação de 87,5 por cento da ExxonMobil na Nansei Sekiyu no ano passado. O acordo deve ser finalizado até próximo mês e representa o primeiro investimento da petroleira brasileira numa refinaria asiática.

A japonesa Sumitomo Corp é proprietária dos 12,5 por cento restantes da Nansei Sekiyu, localizada na porção sul da ilha de Okinawa.

O Brasil produz essencialmente petróleo bruto pesado, mas a refinaria foi projetada para trabalhar com petróleo de graus mais leves.

A Petrobras e a Sumitomo planejam realizar uma reforma de 900 milhões de dólares na refinaria até o final de 2010, com o objetivo de processar um volume maior da produção brasileira de petróleo, de acordo com a Sumitomo em novembro passado.

Com reportagem adicional de Denise Luna, no Rio de Janeiro

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