20 de Agosto de 2008 / às 12:35 / em 9 anos

Inflação desacelera mais rápido no atacado em agosto

Por Vanessa Stelzer

SÃO PAULO (Reuters) - A inflação ao consumidor brasileiro manteve-se em desaceleração, enquanto os preços no atacado aceleraram o ritmo de queda em meados de agosto, consolidando o cenário de arrefecimento dos preços no segundo semestre após o pico da primeira metade do ano.

Analistas dizem que se essa tendência continuar, o Banco Central poderá reduzir o ritmo da alta do juro, mas não ainda em setembro, já que só a partir da reunião seguinte, em outubro, a autoridade monetária terá também dados de atividade do segundo semestre que, segundo as expectativas, devem mostrar desaceleração.

O Índice de Preços ao Consumidor (IPC) de São Paulo subiu 0,34 por cento na segunda quadrissemana de agosto, seguindo a alta de 0,38 por cento na primeira leitura do mês, informou nesta quarta-feira a Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe).

O Índice Geral de Preços do Mercado (IGP-M) registrou deflação de 0,12 por cento na segunda leitura de agosto, ante alta de 1,79 por cento no mesmo período de julho e queda de 0,01 pr cento na primeira prévia deste mês, segundo a Fundação Getúlio Vargas (FGV).

O IPC-Fipe ficou exatamente em linha com a mediana de previsões de 10 analistas colhidas pela Reuters, enquanto o IGP-M veio melhor que a queda de 0,06 por cento prevista.

“Em termos de inflação, os indicadores da semana mostram a continuidade do processo de desaceleração por conta principalmente do arrefecimento dos preços dos alimentos”, disse em nota Miriam Tavares, diretora de câmbio da AGK Corretora.

ALIMENTOS EM QUEDA

Em São Paulo, segundo a Fipe, os preços do grupo Alimentação --principal responsável pelo repique da inflação nos últimos meses-- tiveram alta de 0,26 por cento na segunda quadrissemana de agosto, uma forte desaceleração frente ao avanço de 0,69 por cento da primeira leitura do mês.

No IGP-M, os preços no varejo desaceleraram a alta para 0,21 por cento, enquanto no atacado os preços registraram uma queda de 0,44 por cento. No atacado, o alívio veio dos produtos agrícolas, que acumulam salto de 8 por cento no ano, mas caíram fortes 3,86 por cento na segunda leitura de agosto.

Todas as cinco maiores influências negativas no atacado vieram dos alimentos: soja em grão, tomate, milho em grão, trigo em grão e leite in natura.

O mesmo ocorreu no varejo, com os recuos de tomate, batata-inglesa, melão, beterraba e leite longa vida. No IGP-M, o grupo Alimentação no varejo teve deflação, de 0,34 por cento.

A semana reserva mais um dado de inflação, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo-15 (IPCA-15), que serve como uma prévia do IPCA do mês, o índice de referência para o sistema de metas. A divulgação será na sexta-feira.

“O destaque da semana fica com o IPCA-15 de agosto, que deve registrar inflação de 0,37 por cento, o que representará mais uma importante desaceleração do indicador na margem (ante 0,63 por cento em julho)”, acrescentou Miriam.

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