20 de Agosto de 2008 / às 17:18 / em 9 anos

Lula: não sou contra nem a favor de estatal do pré-sal

Por Denise Luna

<p>Imagem de arquivo do presidente brasileiro, Luiz In&aacute;cio Lula da Silva, durante entrevista coletiva em Bras&iacute;lia. O presidente Luiz In&aacute;cio Lula da Silva afirmou nesta quarta-feira que ainda n&atilde;o h&aacute; nenhuma decis&atilde;o sobre o modelo que ser&aacute; adotado para a explora&ccedil;&atilde;o do petr&oacute;leo da camada pr&eacute;-sal da costa brasileira. Photo by Stringer</p>

SÃO GONÇALO DO AMARANTE, Ceará (Reuters) - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta quarta-feira que ainda não há nenhuma decisão sobre o modelo que será adotado para a exploração do petróleo da camada pré-sal da costa brasileira.

Ele disse que, no momento, não é “nem contra nem a favor” da criação de uma nova estatal para administrar o petróleo contido no pré-sal.

“A única coisa que eu disse até agora sobre o pré-sal é que o petróleo, enquanto está embaixo da terra, é da União, e que nós precisamos utilizar esse potencial extraordinário para acabar com problemas crônicos, como a pobreza do país”, disse Lula a jornalistas, após discurso no porto de Pecém, durante o lançamento da primeira unidade de gás natural liquefeito do Brasil.

De acordo com Lula, o objetivo do governo, além de acabar com a pobreza, será destinar recursos “para recuperar o tempo perdido na educação”.

O presidente informou que até o momento apenas criou uma comissão interministerial que deverá entregar as propostas para o melhor aproveitamento das riquezas do pré-sal no dia 19 de setembro, e que depois disso o assunto será levado à sociedade para ser debatido.

“Não é uma coisa que pode ser pensada a partir da vontade do presidente da República, a partir da vontade da Petrobras, tem que ser a partir da vontade do povo brasileiro”, disse ele, reforçando que ainda não existe nenhuma decisão sobre a criação da nova estatal para explorar o pré-sal, o que poderia enfraquecer a Petrobras.

Brincando, ele declarou que enquanto possui apenas “dois anos e quatro meses de mandato, a Petrobras e o petróleo têm anos e anos de existência”.

O presidente afirmou que após receber a proposta da comissão de ministros, formada entre outros por Edison Lobão (Minas e Energia), Guido Mantega (Fazenda) e Dilma Rousseff (Casa Civil), vai ampliar o debate.

“A partir daí faremos um debate com a Petrobras, com os trabalhadores, com o Congresso Nacional e com os empresários, para saber que destino a gente vai dar a essa extraordinária performance do petróleo no Brasil.”

DINHEIRO PARA O CEARÁ

Em seu discurso, Lula fez vários elogios à Petrobras e ao presidente da empresa, José Sergio Gabrielli, e afirmou desconhecer o volume de petróleo descoberto pela estatal na camada pré-sal, no ano passado.

“Não sei quanto tem na camada pré-sal, porque vai ser a ANP que vai anunciar. Mas posso dizer que tem menos do que a gente desejaria e mais do que poderíamos sonhar”, disse, citando a agência reguladora do setor.

O presidente Lula viajou ao Ceará nesta quarta-feira para inaugurar dois projetos da Petrobras e anunciar a construção de uma refinaria com capacidade para processar 300 mil barris diários de petróleo, com valor estimado em 11,1 bilhões de dólares, incluindo algumas obras de expansão no porto de Pecém.

Depois de inaugurar o terminal de gás natural liquefeito no porto de Pecém --onde ressaltou que não era uma inauguração, porque a unidade ainda não estava funcionando-- Lula iria para o lançamento da segunda fábrica de biodiesel da Petrobras, desta vez em Quixadá, onde serão produzidos 57 milhões de litros de biodisel por ano.

A nova planta de GNL, que terá capacidade de produzir 7 milhões de metros cúbicos de gás natural por dia, tem por objetivo, somada a outra a ser instalada no Rio de Janeiro, reduzir a dependência do Brasil em relação ao gás boliviano. O terminal será operado pela Transpetro, braço de transporte da Petrobras.

Após visitar Quixadá, Lula irá inaugurar a unidade de campus universitário do Cariri e ainda entregará 19 mil títulos de propriedade a pequenos agricultores da região.

Edição de Roberto Samora

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