20 de Junho de 2008 / às 18:13 / em 9 anos

ANÁLISE-Cenário inflacionário maligno justifica meta de 4,5%

Por Isabel Versiani

BRASÍLIA, 20 de junho (Reuters) - No cenário atual de recrudescimento da inflação no país e no mundo, o governo deve manter a meta de inflação do país em 2010 no nível atual de 4,5 por cento, ainda considerado elevado para padrões internacionais, afirmam economistas.

A avaliação predominante é que, dadas as incertezas que ainda cercam o comportamento dos preços das commodities nos próximos meses, o custo de se fixar um alvo mais ambicioso, ou pelo menos reduzir o intervalo de tolerância de 2 pontos percentuais, não se justifica.

“Nós estamos diante de um ciclo global de inflação, e também de um ciclo global de aperto monetário que deve estar se iniciando, e acho que é natural e compreensível que os governos, em qualquer país do mundo, não tenham interesse em mudar muito a meta de inflação para baixo”, afirmou o economista-chefe do Bradesco, Octavio de Barros.

O Conselho Monetário Nacional (CMN) se reunirá no final deste mês para confirmar a meta inflacionária de 2009, fixada em 4,5 por cento, e determinar o alvo a ser perseguido pelo Banco Central no ano seguinte.

A decisão será tomada em meio a um ciclo de aperto monetário iniciado pelo BC em abril para tentar conter a inflação. Expectativas do mercado já apontam para um Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de 5,8 por cento ao final deste ano, frente ao teto de 6,5 por cento da meta.

“Eu acho que o governo vai manter (a meta em 4,5 por cento)”, afirma Carlos Thadeu de Freitas, ex-diretor do BC. “Nas atuais circustâncias que nós estamos vivendo --este ano o IPCA pode chegar a 6,4 por cento, no topo da meta, e tendo em conta que não há perspectiva no curto prazo para uma desaceleração mais forte dos índices de inflação correntes-- qualquer mexida na meta agora para baixo poderia desencadear uma alta ainda maior das taxas de juros.”

OPORTUNIDADE PERDIDA

A meta inflacionária brasileira está fixada em 4,5 por cento desde 2005 e é superior aos alvos definidos pela maioria dos países que adotam o mesmo regime.

No Reino Unido, a meta central é de 2 por cento e, no México, o centro da meta é de 3 por cento. Muitas economias, contudo, enfrentam dificuldades em cumprir seus alvos no momento atual --a Turquia recentemente elevou sua meta de 2009 de 4 por cento para 7,5 por cento.

Analistas afirmam que no longo prazo o Brasil precisa trabalhar para reduzir sua meta e também o intervalo de tolerância e alguns consideram que o país perdeu uma boa oportunidade de fazê-lo no ano passado.

Há um ano, quando a economia ainda vivia um céu de brigadeiro no que diz respeito à inflação, o CMN --formado pelos ministros da Fazenda, do Planejamento e pelo presidente do BC-- discutiu a possibilidade de reduzir a meta, mas prevaleceu a tese da manutenção, defendida por Guido Mantega.

“Naquela circustância teria dado para mudar a meta para 4 por cento, com um teto de 2 pontos”, afirmou o economista-chefe do Banco Itaú, Tomás Málaga.

“Como a inflação já estava abaixo desse limite, teria sido muito fácil para o Banco Central manter, e isso teria ajudado muito em transitar para uma inflação mais baixa. Acho que foi um erro.”

Mantega afirmou esta semana que o governo segue comprometido em manter a inflação na trajetória das metas e previu que o IPCA ficará abaixo do teto da meta de 6,5 por cento este ano e desacelerará em 2009, se aproximando do alvo central de 4,5 por cento.

Para Zeina Latif, economista-chefe do Banco Real, o governo deveria promover uma redução da meta, ainda que “simbólica”, de 0,25 ponto.

“Acho que valeria esse esforço, os choques provavelmente já não vão estar presentes em 2010. Mas não me parece que esteja na agenda do governo fazer um esforço adicional”, afirmou.

Edição de Renato Andrade

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