20 de Outubro de 2008 / às 19:29 / em 9 anos

Kassab volta ao mensalão; Marta diz que é "cortina de fumaça"

SÃO PAULO, 20 de outubro (Reuters) - As agressões verbais e provocações que marcaram o debate de domingo na TV Record entre o prefeito de Sáo Paulo, Gilberto Kassab (DEM), candidato à reeleição, e a petista Marta Suplicy, continuaram nesta segunda-feira.

Kassab voltou a vincular Marta ao escândalo do mensalão, enquanto a campanha do PT reagiu afirmando que ele usa o fato como “cortina de fumaça” para deixar de explicar suas relações com o ex-prefeito Celso Pitta (1997-2000).

“Todos sabem que me afastei de Pitta, o que eu questionei é se ela se afastou da turma do mensalão. Ela não respondeu”, disse Kassab em entrevista nesta manhã, após um debate em que se mostrou mais agressivo do que em outros programas.

Em nota, o deputado Carlos Zarattini, coordenador-geral da campanha de Marta, afirmou que Kassab “resolveu usar a cortina de fumaça do chamado ‘mensalão’ para fugir das explicações que deve ao eleitor de São Paulo”.

O texto menciona “falsas associações” e diz que Marta não se envolveu com o esquema do PT que veio a público em 2005.

“Todos sabem que Marta não teve nenhum envolvimento com esse assunto. Sendo Kassab quem é, houvesse qualquer insinuação de ligação de Marta com o tema, ele teria explorado isso desde o primeiro dia de campanha. Só tenta fazer isso agora para não ter que responder sobre sua história pessoal, sua trajetória, seu DNA”, diz a nota.

Na mesma entrevista, o prefeito classificou como natural o clima tenso do debate da Record e, apesar de afirmar que foram dicutidas propostas, o que se viu foram ataques de parte a parte.

“Minha avaliação (do debate) é positiva. É natural este clima de rivalidade, esse clima de disputa. Ela tem as propostas dela e a gente tem as nossas”, disse Kassab a jornalistas no centro da cidade.

Marta, em campanha na zona sul, fez poucos comentários sobre o debate em que se desculpou mais de uma vez por ter criado taxas quando esteve à frente da prefeitura (2001-2004) e por ter veiculado em sua campanha de mídia propaganda que questionou a sexualidade do prefeito.

“Eu acredito que o debate de ontem foi um avanço. A população entendeu a diferença entre as duas candidaturas”, afirmou.

No debate, na nota desta segunda-feira e na entrevista da candidata, a campanha vincula Kassab a Pitta, de quem o prefeito foi secretário do Planejamento. Pitta, herdeiro político de Paulo Maluf (PP), deixou o cargo sob escândalo e sofre hoje forte rejeição da população paulistana.

“Ele foi braço direito de Pitta em tudo que aconteceu nessa cidade. Isso é muito grave. É uma pessoa que tem a história muito comprometida”, argumentou Marta na entrevista.

SERRA FALTOU

Apesar da troca de farpas, Kassab, com vantagem de 16 pontos percentuais em relação a Marta, demonstrou bom humor nas entrevistas, mas não subiu no salto alto para a eleição do próximo domingo.

“Para domingo, existe muito otimismo, a avaliação do nosso governo é muito boa, porém o eleitor só vai se manifestar no dia da eleição”, disse.

Convidado para a cerimônia em que foi lançado um edital de licitação para a reforma da Praça das Artes e de um anexo da Biblioteca Mário de Andrade, na região central, o governador de São Paulo, José Serra (PSDB), deixou de comparecer e mandou como representante o secretário de Cultura, João Sayad.

“Ele foi convidado e tinha a expectativa que pudesse vir, mas já tinha alertado na sexta-feira que não viria”, explicou Kassab.

A assessoria do governador, padrinho político de Kassab, não comentou a ausência do governador, que na semana passada enfrentou a pior crise da polícia paulista, em que policiais civis em greve tiveram um confronto nas proximidades do Palácio dos Bandeirantes, sede do governo estadual, com policiais militares.

Para Kassab, a crise nas polícias não deve interferir em sua campanha. Ele não acredita que a candidatura adversária vai querer tirar proveito do episódio. “Faltaria espírito público a qualquer candidatura que tenha como base uma crise com essa dimensão.”

Reportagem de Carmen Munari e Alice Assunção; Edição de Mair Pena Neto

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