21 de Janeiro de 2008 / às 14:43 / em 10 anos

Possível acordo entre Vale e Xstrata poderia atingir US$100 bi

Por Andrei Khalip

RIO DE JANEIRO/SÃO PAULO (Reuters) - A Vale anunciou nesta segunda-feira que tem mantido negociações para uma eventual aquisição da mineradora anglo-suíça Xstrata, num acordo que, se confirmado, poderia atingir mais de 100 bilhões de dólares, segundo analistas.

“Tudo indica que uma proposta realmente pode acontecer, mas não é uma tarefa trivial para a Vale. É quase todo o valor da companhia que estaria sendo colocado no negócio”, afirmou Rodrigo Ferraz, um analista de mineração do Banco Brascan, no Rio de Janeiro.

Ferraz estimou que o valor do acordo poderia atingir 104 bilhões de dólares, incluindo um prêmio de 37 por cento, sem considerar a dívida líquida da Xstrata.

O valor de mercado da Vale é de cerca de 125 bilhões de dólares.

A Vale, maior produtora de minério de ferro do mundo, informou em comunicado mais cedo que, apesar de manter negociações com a Xstrata, ainda não há qualquer definição sobre um possível acordo.

“No contexto do processo de consolidação global da indústria de mineração, a Vale tem mantido entendimentos com a Xstrata Plc, os quais não chegaram, até o momento, a qualquer resultado concreto”, informou um comunicado.

Ao comentar notícias de que estaria preparando a aquisição da Xstrata, a Vale informou ainda que também analisa outras opções envolvendo empresas do setor, igualmente sem qualquer resultado concreto até o momento.

Ferraz e outros analistas no Brasil afirmaram que o atual perfil da Vale, fortemente baseado em minério de ferro, deixa a companhia protegida da volatilidade nos preços dos metais. Os preços do minério de ferro são acertados uma vez por ano entre produtores e clientes.

Com a Xstrata, a Vale poderia adquirir grande diversificação em metais como cobre e níquel. Mas também poderia estar mais exposta à volatilidade, que poderia minar o seu fluxo de caixa quando ela tiver de pagar os empréstimos para uma eventual aquisição da Xstrata, segundo analistas.

Segundo jornais brasileiros, o negócio visando a compra da Xstrata poderia atingir até 90 bilhões de dólares.

Isso indica que, no caso de a transação ser confirmada, seria a maior aquisição já feita por uma companhia do Brasil.

Sem falar em valores, o comunicado da Vale confirmou ainda informações de jornais de que está buscando financiamento em bancos.

“Nesse sentido, a Vale também tem discutido com instituições financeiras formas de apoio na eventualidade de se concretizar alguma das opções que estão sendo avaliadas.”

Segundo a mídia local, a Vale está negociando com o principal acionista da Xstrata, a trading Glencore, para que ela aceite até 30 bilhões de dólares em ações, como parte do pagamento. O restante seria pago em dinheiro, segundo os jornais.

A Glencore, que detém 34,6 por cento da Xstrata, sinalizou que aceitaria a proposta, de acordo com o jornal Valor Econômico.

A Vale não comentou no comunicado se estaria em negociação com a Glencore.

Entretanto, a companhia brasileira ressaltou uma postura de “prudência” no comunicado enviado ao mercado, afirmando ainda que qualquer decisão sobre “assuntos dessa natureza necessitará de aprovação de seus órgãos de administração...”.

“(...) A VALE tem presente que as condições correntes do mercado internacional de capitais representam um grande desafio no contexto de qualquer movimento estratégico de porte e, portanto, manterá a postura de prudência que tem caracterizado sua gestão ao longo dos anos.”

As ações da Xstrata chegaram a subir mais de 4 por cento em Londres na manhã desta segunda-feira, impulsionadas pelas especulações em torno das negociações.

Mas, por volta das 14h15 (horário de Brasília), as ações da Xstrata caíam 4,89 por cento, enquanto o índice FTSEurofirst 300 perdia mais de 4 por cento.

Já as ações da Vale caíam quase 8 por cento, enquanto o índice Bovespa perdia quase 6 por cento.

A Xstrata tem sido tema de aquisições por meses. Em dezembro, a empresa confirmou que manteve conversações sobre um possível negócio, mas acrescentou que nenhuma proposta foi feita.

Com reportagem adicional de Roberto Samora e Todd Benson, em São Paulo

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