January 21, 2008 / 6:53 PM / 11 years ago

Dólar sobe a R$1,83 com mercado em crise no exterior

Por Silvio Cascione

SÃO PAULO (Reuters) - A crise nos mercados internacionais, com perdas históricas nas bolsas européias, impulsionou o dólar nesta segunda-feira para a maior cotação em quase dois meses, acima de 1,83 real.

A moeda norte-americana encerrou em alta de 2,46 por cento —maior alta diária desde agosto—, para 1,830 real. É a maior cotação de fechamento desde 27 de novembro. Em janeiro, o dólar acumula alta de 2,98 por cento.

O feriado nos Estados Unidos, que comemoraram o dia de Martin Luther King, não impediu que as bolsas na Ásia e na Europa tivessem um dia de muito nervosismo.

Os investidores repercutiram o desânimo com o plano de estímulo econômico esboçado na última sexta-feira pelo presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, para tentar evitar uma recessão na maior economia do mundo.

A queda dos principais índices de ações da Grã-Bretanha, Alemanha e França tirou cerca de 300 bilhões de dólares do valor de mercado das empresas da região.

A tempestade no exterior aumentou a aversão a risco entre os estrangeiros. No mercado de juros futuros, as principais projeções tiveram forte alta e, na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), o principal índice caía quase 7 por cento a duas horas do fechamento —refletindo o desmonte de posições de investidores internacionais.

Com isso, “a desvalorização do real é imediata, até porque o fluxo cambial não tem sido positivo e a balança comercial vem tendo desempenho bastante discreto no início deste ano”, disse Sidnei Nehme, diretor-executivo da NGO Corretora.

De acordo com dados do Banco Central, a turbulência financeira já havia provocado a saída, em termos líquidos, de 2,18 bilhões de dólares neste ano até 11 de janeiro.

Já a balança comercial, que em 2007 foi um importante canal de entrada de recursos, teve superávit de apenas 396 milhões de dólares nas três primeiras semanas de 2008 —a última semana, com saldo positivo de apenas 1 milhão de dólares, teve o resultado mais baixo desde maio de 2002.

Mas Renato Schoemberger, operador da Alpes Corretora, fez questão de ressaltar que não houve pânico nos mercados brasileiros nesta segunda-feira, já que o epicentro da crise está nos Estados Unidos. “Não teve desespero nenhum, até podia estar pior... O mercado está com liquidez, isso é que é importante”, frisou.

A forte alta do dólar não impediu que o BC comprasse dólares em leilão no mercado à vista. Na operação, a autoridade monetária definiu taxa de corte a 1,8305 real e aceitou, segundo operadores, ao menos uma proposta.

Edição de Vanessa Stelzer

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