21 de Maio de 2008 / às 19:23 / 10 anos atrás

Chefe da ONU diz que foco em Mianmar agora é salvar vidas

Por Aung Hla Tun

YANGUN, Mianmar (Reuters) - Afirmando que “nosso foco agora está em salvar vidas”, Ban Ki-moon, secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), preparava-se na quarta-feira para dar início, no dia seguinte, a uma visita às vítimas de um violento ciclone que atingiu recentemente Mianmar.

No mesmo dia, a junta militar que controla o país autorizou pela primeira vez que helicópteros estrangeiros distribuíssem suprimentos na área atingida.

Segundo Ban, as equipes de ajuda conseguiram até agora chegar apenas a um quarto dos que precisam de auxílio entre os 2,4 milhões de pessoas atingidos no dia 2 de maio por uma violenta tempestade e por uma imensa coluna de água vinda do mar que deixaram quase 134 mil mortos ou desaparecidos.

“Precisamos nos esforçar ao máximo em nome do povo de Mianmar”, afirmou Ban quando chegou à capital da Tailândia, Bangcoc, antes de viajar para Mianmar na quinta-feira.

“A distribuição de material de ajuda em Mianmar não deveria ser algo politizado. Nosso foco agora está em salvar vidas.”

A ONU e a Associação das Nações do Sudeste Asiático (Asean), da qual Mianmar faz parte, devem organizar uma convenção de doadores internacionais no domingo, em Yangun.

O governo deseja receber mais de 11 bilhões de dólares em ajuda, mas os doadores internacionais precisam antes verificar do que a população atingida necessita, disse o secretário-geral da Asean, Surin Pitsuwan, à Reuters, em uma entrevista.

“O acesso ao país é importante a fim de garantir a confiança mútua e a fim de podermos verificar os prejuízos e as necessidades. Se não for assim, os doadores não se sentirão seguros para prometer o envio de ajuda”, disse Surin ao visitar Yangun.

Ban afirmou que se reuniria na sexta-feira com o general Than Shwe, um importante membro da junta militar de Mianmar.

Than Shwe, que só se encontrou com algumas das vítimas do ciclone e compareceu aos locais atingidos apenas duas semanas após o desastre, não quis conversar com Ban pelo telefone ainda em um estágio anterior dos esforços de ajuda.

Diplomatas afirmaram que o surgimento do general em público, nesta semana, quando visitou cidades do delta de Irrawaddy, poderia ser um sinal de que os oficiais das Forças Armadas finalmente perceberam a dimensão dos estragos e das obras de reconstrução a serem realizadas em virtude de um dos piores ciclones a atingir a Ásia.

O Programa Mundial de Alimentação (WFP) disse que o primeiro dos nove helicópteros que receberam permissão para levar suprimentos até o delta aterrissaria em Yangun na quinta-feira, vindo da Malásia.

“Esses helicópteros levarão suprimentos requisitados com urgência para salvar a vida de vítimas do ciclone que moram em partes distantes do delta”, disse em Bangcoc Marcus Prior, porta-voz do WFP.

A ONU afirma que 2,4 milhões de pessoas lutam para sobreviver em Yangun e no delta de Irrawaddy, onde os refugiados da tempestade suplicam por comida junto aos membros de equipes de ajuda.

VOTO EUROPEU

Parlamentares da União Européia (UE) disseram na quarta-feira que o mundo deveria obrigar o governo militar de Mianmar a aceitar o envio de ajuda.

“As autoridades birmanesas são responsáveis por cometer um crime contra a humanidade”, afirmou a parlamentar polonesa da UE Urszula Gacek, referindo-se ao antigo nome de Mianmar, antes conhecido como Birmânia.

O Parlamento Europeu, que não pode determinar os rumos da política externa do bloco, mas tem peso ao determinar a opinião dominante dentro da UE, votará na quinta-feira uma resolução pedindo ao Conselho de Segurança da ONU para considerar a possibilidade de enviar ajuda a força para Mianmar.

REUTERS CP

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