22 de Janeiro de 2008 / às 00:39 / em 10 anos

Premiê italiano irá ao Congresso para tentar evitar renúncia

Por Silvia Aloisi

ROMA (Reuters) - O primeiro-ministro italiano, Romano Prodi, irá ao Parlamento na terça-feira para tentar evitar uma crise governamental deflagrada pela decisão de um aliado de deixar sua coalizão de governo. As chances de sucesso do premiê, no entanto, parecem pequenas.

Clemente Mastella, líder do partido católico Udeur, que vinha sendo essencial para garantir a maioria do governo no Senado, anunciou que seu grupo não apoiará mais o governo de centro-esquerda e declarou-se favorável à convocação de eleições.

A dissidência deixa Prodi encurralado e levou a oposição a pedir sua renúncia imediata.

Mas o premiê decidiu falar aos parlamentares e contar com seus aliados para uma demonstração de apoio de última hora em um voto de confiança em ambas as câmaras do Parlamento. Ele fará um discurso à câmara baixa às 7h (horário de Brasília)).

Essa estratégia pode apenas adiar o que parece inevitável: uma crise governamental.

“O primeiro-ministro não tem o dever de imediatamente ir ao Quirinale (palácio presidencial) para oferecer sua renúncia?”, questionou Paolo Bonaiuti, porta-voz do líder da oposição Silvio Berlusconi.

Aliados dizem que Prodi estava calmo e determinado a contar seus votos antes de jogar a toalha, mas Mastella, cujo partido tem três assentos no Senado que, por sua vez, ajudaram o governo Prodi a sobreviver, não mostrou disposição para um acordo.

“Essa maioria não existe mais, essa centro-esquerda está acabada”, disse Mastella ao anunciar a decisão de seu partido de deixar o governo. “Somos favoráveis à eleição.”

Mastella deixou o cargo de ministro da Justiça na semana passada após ele e sua mulher ficarem sob investigação em um escândalo de corrupção. Na época de sua demissão, Mastella disse que seu partido daria “apoio externo” ao governo Prodi. Nesta segunda-feira, no entanto, ele mudou de idéia.

Os cenários mais prováveis no caso de uma renúncia de Prodi são a convocação de eleições antecipadas ou a formação de um governo interino para reformar as leis eleitorais italianas, consideradas responsáveis pela instabilidade política do país.

Um governo interino precisaria de um amplo apoio de vários partidos, o que parece pouco provável.

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