21 de Maio de 2008 / às 22:23 / em 9 anos

Envolvida em conflitos, América do Sul se une em novo pacto

Por Julio Villaverde

RIO DE JANEIRO (Reuters) - Presidentes de 12 países consagram na sexta-feira, em Brasília, a criação da maior instância política e de integração da América do Sul, em reunião de cúpula que poderá servir para limar asperezas que circundam as relações entre vários vizinhos da região.

O anfitrião Luiz Inácio Lula da Silva presidirá a assinatura do Tratado Constitutivo da União de Nações Sul-Americanas (Unasul), mas a atenção estará voltada para o encontro frente a frente entre os presidentes da Colômbia, Alvaro Uribe, e da Venezuela, Hugo Chávez, protagonistas de recentes conflitos que abalaram as relações entre seus países.

A tensão diplomática se agravou desde o fim de 2007, quando Uribe encerrou a intermediação de Chávez para que os rebeldes das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) libertassem alguns de seus reféns.

A crise alcançou seu auge depois que a Colômbia atacou guerrilheiros das Farc em território equatoriano, matando um de seus dirigentes.

Brasília poderá registrar o início de uma aproximação entre Uribe e Chávez, que trocaram duras acusações, e também entre o presidente colombiano e o equatoriano, Rafael Correa, amigo de Chávez.

“Os presidentes terão um diálogo privado e podem falar do que considerem conveniente. Esse tema pode ser levantado pelos presidentes, mas não está na agenda”, disse um porta-voz da chancelaria brasileira.

Mas essa é apenas uma possibilidade, segundo analistas, já que a crise deve seguir seus próprios caminhos em busca de uma saída.

“É uma oportunidade de um encontro, de um espaço diplomático... mas não creio que este momento seja uma oportunidade decisiva”, disse à Reuters Alcides Costa Vaz, professor de relações internacionais da Universidade de Brasília.

“O fundamental do processo de aproximação depende mais das dinâmicas da própria crise, da dinâmica do conflito (interno) colombiano e das reações que desperte na Venezuela e no Equador”, acrescentou.

As Farc têm sido atingidas pela dura resposta militar do governo de Uribe, e agora tudo depende se vão se retrair em sua capacidade de ação ou recrudescer suas operações, assinalou Costa Vaz.

“O panorama de estabilidade na área andina e na América do Sul como um todo depende muito da evolução do conflito na Colômbia, esse é um dado fundamental”, afirmou.

A Unasul, como um organismo recém-fundado, dificilmente poderá ter um papel imediato no conflito, e deverão continuar as boas gestões do governo do Brasil e de outros países amigos, disse Costa Vaz.

MAIS BUROCRACIA OU EFETIVIDADE?

A formalização da Unasul, porém, abre uma ambiciosa instância de diálogo político e de integração, que precisará evitar cair em mais um mecanismo burocrático numa região onde já existem organismos como a união aduaneira Mercosul e a Comunidade Andina de Nações.

“O risco é de que se converta apenas em um ente formal com pouca incidência nas agendas nacionais. Tudo depende dos países sul-americanos, de sua vontade política e dos recursos que aportem”, avaliou Costa Vaz.

A Unasul será formada por Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Colômbia, Equador, Guiana, Paraguai, Peru, Suriname, Uruguai e Venezuela.

O novo organismo terá como órgãos deliberativos um Conselho de Chefes de Estado e de Governo, um Conselho de Ministros de Relações Exteriores e um Conselho de Delegados. Também contará com uma Secretaria Geral, com sede em Quito, e está previsto o estabelecimento de um parlamento Sul-Americano, com sede na cidade boliviana de Cochabamba.

Mas a efetividade da Unasul dependerá da “definição de competências, objetivos, de sua carta constitutiva”, disse Costa Vaz. “Um consenso (para sua constituição) já é um passo importante para perspectivas de cooperação e de diálogo político”, destacou o professor da UNB.

A cúpula deverá aprovar também decisões sobre o plano de ação da Unasul, com base nas conclusões dos grupos de trabalho criados para as áreas de energia, infra-estrutura, financiamento, políticas sociais e educação, disse a chancelaria brasileira.

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