22 de Agosto de 2008 / às 21:57 / em 9 anos

Alckmin lança programa e defende parceria com PT caso eleito

SÃO PAULO (Reuters) - Ao lançar seu programa de governo nesta sexta-feira, o candidato à prefeitura de São Paulo Geraldo Alckmin (PSDB) defendeu uma parceria com o PT caso vença a eleição. Para ele, a disputa se encerra no dia 26 de outubro, data do segundo turno das eleições municipais.

“Não há razão nenhuma para termos terceiro ou quarto turnos. Não tem sentido. No que depender de mim, quando acabar a disputa eleitoral é todo mundo para trabalhar pela cidade”, disse Alckmin a jornalistas.

“A disputa com o PT se encerra no dia 26, é uma disputa eleitoral”, previu.

Consultado, Carlos Zarattini, deputado petista e coordenador-geral da campanha da candidata Marta Suplicy (PT), demorou um pouco a entender o que o ex-governador havia declarado e depois preferiu ser conciso.

“Posso dizer a mesma coisa. Vamos nos dar bem com quem perder, é isso”, afirmou à Reuters.

Alckmin ainda comparou essa postura em São Paulo com a votação da reforma da Previdência em 2003, primeiro ano do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à frente do governo federal.

“Ela só foi aprovada porque teve os nossos votos”, disse ele, referindo-se ao PSDB.

Se vencer a eleição, Alckmin também prevê um bom relacionamento com o presidente Lula. “Ele não é presidente do PT, é presidente de todos os brasileiros”.

SEM ESTRELAS

No lançamento do programa de governo, realizado em um clube da capital, Alckmin não contou com a presença das estrelas do partido.

No auditório montado como uma arena e utilizado como cenário para gravação da propaganda eleitoral gratuita na TV, estavam presentes deputados tucanos (Paulo Renato, Silvio Torres, Julio Semeghini), o candidato a vice, Campos Machado (PTB), o senador Romeu Tuma (PTB) e o ex-secretário de Educação e candidato a vereador Gabriel Chalita.

Em seu discurso, Campos Machado disse que Alckmin, religioso e discreto, quer “transformar a cidade em uma cidade composta por famílias”. Depois, como em uma missa, pediu que todos segurassem as mãos uns dos outros e gritassem “boa sorte” para o candidato.

Alckmin afirmou em sua fala que não vai atacar os adversários. “Isso aqui não é vale tudo. Política é amor pelas pessoas”. Ainda assim, afirmou que a área da saúde do município sofre de “baixa resolutividade” e que o governador José Serra (PSDB), quando assumiu a prefeitura deixada por Marta encontrou “tudo parado”.

No programa de governo, que prioriza o setor de saúde, Alckmin planeja a construção de três novos hospitais nos bairros de Parelheiros, Brasilândia e São Mateus. O texto de 58 páginas aponta ainda falta “expressiva” de médicos na prefeitura.

Na educação, promete criar o professor visitador, que iria à casa dos alunos. No transporte, afirma que o município vai manter os investimentos no metrô, que foram iniciados pela atual gestão de Gilberto Kassab (DEM). (Reportagem de Carmen Munari)

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