22 de Setembro de 2008 / às 14:30 / em 9 anos

CÂMBIO-Efeito BC pesa e dólar segue em queda frente ao real

SÃO PAULO, 22 de setembro (Reuters) - A moeda norte-americana abriu a semana em queda acentuada no mercado de câmbio brasileiro, refletindo a expectativa dos analistas de normalização do fluxo de dinheiro nos mercados.

O dólar BRBY era cotado a 1,806 real, às 11h20 (horário de Brasília), o que representava uma baixa de 1,31 por cento frente ao fechamento de sexta-feira.

A realização de um leilão de venda da moeda pelo Banco Central na sexta-feira --o primeiro leilão de venda com compromisso de recompra em mais de cinco anos-- garantiu uma forte desvalorização da moeda norte-americana no último pregão da semana passada.

Apesar dos analistas acreditarem que a atuação do BC será pontual, o fato de a autoridade monetária ter mostrado que fornecerá moeda quando o mercado realmente precisar despertou certo alívio no mercado.

“O que o BC fez foi garantir ao mercado que num ponto crítico haveria condições de pegar e manter o Brasil em condições líquidas ante o mercado internacional”, afirmou Vanderlei Arruda, gerente de câmbio da corretora Souza Barros.

Na quinta-feira, o BC anunciou a retomada dos leilões de venda de dólares com compromisso de recompra. Na sexta-feira, o BC colocou no mercado 500 milhões de dólares. Mas o volume, que a princípio parecia pouco, acabou tendo que ser colocado em duas tranches, já que o mercado comprou apenas 200 milhões de dólares na primeira oferta.

Para Mario Battistel, gerente de câmbio da corretora Fair, o BC só deve voltar a vender dólares ao mercado quando os compradores da primeira operação revenderem os dólares para a autoridade monetária, em 23 de outubro.

“Provavelmente quando vencer, deve haver outro, porque o vencimento é curto. Quem precisava (de dólares) realmente pegou, porque não tinha dólar mesmo”, afirmou Battistel que ponderou que a ação do BC também contribuiu para reduzir o volume de agentes que estavam apenas especulando com a moeda no mercado.

Outro fator que contribuía positivamente para o mercado de câmbio brasileiro era a expectativa em relação ao pacote de ajuda montado pelo governo dos Estados Unidos para tentar sanar a maior crise de crédito vivida por Wall Street desde a Grande Depressão.

“O mercado está otimista”, afirmou um gerente de câmbio de um banco nacional que preferiu não ser identificado.

A opinião foi compartilhada por Vanderlei Arruda, da Souza Barros.

“Essa situação reflete a visão otimista que o mercado tem não só no Brasil, como lá fora, em relação a esse pacote passado pelo governo norte-americano”, afirmou Arruda.

O governo Bush negocia com parlamentares a aprovação de um pacote de 700 bilhões de dólares para tentar evitar que a maior economia do mundo enfrente uma recessão severa.

Além disso, o fato de o Goldman Sachs e o Morgan Stanley se preparem para deixar o status de bancos de investimento, o que significa maior monitoramento das instituições por parte do banco central dos EUA, também contribuía para o quadro mais estável dos mercados.

Ainda assim, as dúvidas em relação à execução do pacote ainda pesavam sobre os negócios. Em Wall Street, os principais indicadores acionários operavam no vermelho, o mesmo acontecendo nas bolsas européias.

No Brasil, a Bolsa de Valores de São Paulo .BVSP chegou a esboçar um alta, mas às 11h23, o principal índice do mercado paulista, o Ibovespa, recuava 1,25 por cento, para 52.391 pontos.

Reportagem de Jenifer Corrêa; Texto de Renato Andrade; edição de Alexandre Caverni

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