22 de Outubro de 2008 / às 20:52 / 9 anos atrás

De olho na semântica, governo anuncia "não-pacote" anticrise

Por Natuza Nery

BRASÍLIA, 22 de outubro (Reuters) - O conjunto de medidas anunciado a conta-gotas pelo governo até agora daria para encher um pacote anticrise inteiro. Apesar disso, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva repete feito mantra que não há, nem haverá, "pacote" para enfrentar as dificuldades atuais.

Em poucas semanas, a equipe econômica já anunciou uma sucessão de providências que vão desde a venda de dólares pelo Banco Central em diversas modalidades à possibilidade de compra de instituições financeiras privadas por bancos estatais.

"É que o nome pacote virou um palavrão. Pacote ou não-pacote, o que importa são todas essas ações", disse o senador Renato Casagrande (PSB-ES), aliado do Planalto e líder da bancada.

"Pacote? O governo diz que não tem, mas já anunciou um contêiner", afirmou o deputado oposicionista José Carlos Aleluia (DEM-BA).

Já foram editadas duas MPs para enfrentar os efeitos da crise na economia brasileira da crise --iniciada nos Estados Unidos no ano passado e que se acentuou em meados de setembro-- além de outras ações e liberações de recursos.

A MP divulgada nesta quarta-feira permite a compra de participação em instituições financeiras privadas por dois grandes bancos públicos: o Banco do Brasil (BBAS3.SA) e a Caixa Econômica Federal.

A medida também permite que o BC faça operações de swap de moedas com outros BCs do mundo e autoriza a Caixa a entrar no capital de construtoras, garantindo impulso ao setor de Construção Civil, que emprega um importante número de trabalhadores.

CRÉDITO

No início do mês, o governo já havia autorizado o BC, por meio de outra MP, a comprar carteiras de crédito de bancos brasileiros por meio das chamadas operações de redesconto.

A MP permitiu, ainda, a criação de uma linha de crédito para financiar o comércio exterior do país, usando recursos das reservas internacionais que ainda se mantém acima dos 200 bilhões de dólares.

Em ocasiões diferentes, a autoridade monetária vendeu dólares no mercado à vista, fez leilões de swap cambial tradicional --que aliviam a pressão na procura por moeda americana-- e estabeleceu mudanças no recolhimento de depósitos compulsórios visando garantir a liquidez.

O Banco do Brasil também entrou no bolo no início do mês, quando antecipou 5 bilhões de reais em crédito para a agricultura. O setor recebeu mais dois 2,5 bilhões de reais nessa segunda-feira.

Reportagem adicional de Ana Paula Paiva; Edição de Renato Andrade

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