22 de Abril de 2008 / às 20:41 / 10 anos atrás

Ciro considera "destempero" incabível a candidato a presidente

Por Carmen Munari

SÃO PAULO (Reuters) - O deputado Ciro Gomes (PSB-CE), segundo colocado em pesquisa de intenção de voto do Datafolha realizada em março, não descartou na terça-feira sua candidatura à Presidência da República em 2010 e admitiu que seus excessos verbais contribuíram para a derrota em 2002.

“Serei candidato se entender que minha candidatura serve ao país. Se for meu destino, será uma honra e um privilégio servir ao país”, disse Ciro em sabatina do jornal Folha de S.Paulo, acrescentando que ainda é cedo para uma decisão sobre a eleição de 2010.

O deputado, que por mais de uma vez quis demonstrar maturidade mencionado ter completado 50 anos, disse ter aprendido com os erros da campanha de 2002 que para ele foram muitos. Na eleição em que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) saiu vitorioso pela primeira vez, Ciro não conseguiu passar para o segundo turno.

Ciro é conhecido pelo temperamento forte e por declarações explosivas. Questionado se agora vai adotar o estilo paz e amor, que marcou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva na campanha de 2002, respondeu com a sinceridade habitual na conversa com jornalistas após a sabatina.

“Eu não mudei de comportamento não. Sou a mesma pessoa com 50 anos, com menos cabelos, que também é uma mudança grave. Se você fica mais velho e comete erros, aprende com eles. Se eu não aprender com os meus erros, eu não me perdôo dos erros que cometi, apenas nenhum deles foi de má fé.”

Ainda sobre a disputa presidencial, ele fez uma autocrítica. “Agradeço a Deus não ter sido eleito, eu não estava maduro, não estava preparado”. Relatou ainda que o presidente Lula tem a mesma opinião sobre sua própria derrota para Fernando Collor em 1989.

Durante a sabatina, Ciro foi confrontado com a discussão que teve com a atriz Leticia Sabatella na Câmara dos Deputados por divergências quanto à transposição do rio São Francisco, que defende. Perguntado se o destempero verbal não atrapalha a sua possível candidatura a presidente, disse que “qualquer destempero é uma atitude incabível para quem pretende governar o país”.

O deputado foi vago ao ser indagado sobre uma possível composição com o governador de Minas Gerais, Aécio Neves (PSDB), na qual ficaria com a vice-presidência.

“Meu papel nesse processo é o tempo que vai decidir. Não sou candidato a nada, mas posso ser qualquer coisa na hora própria”, disse a jornalistas, após a sabatina.

Antes, pareceu concordar com declaração de candidato norte-americano que, ao disputar prévias nos anos 60, segundo Ciro, afirmou que “não aceitava ser vice, em nenhuma circunstância, de ninguém”.

Para o deputado, a discussão sobre um eventual terceiro mandato para o presidente Lula é “um pseudo-fato que está prejudicando o país”.

Em relação à eleição para prefeito em São Paulo, Ciro afirmou que as alianças do PSB serão decididas pela direção municipal do partido.

Os critérios, segundo Ciro, são, em primeiro lugar, lançar candidatura própria; depois, apoiar alguém do bloquinho (PCdoB, PDT, PSB e outros partidos menores), e em terceiro lugar, apoiar partidos da aliança do presidente Lula.

Apesar dessas prioridades, Ciro admite que o PSB está discutindo com todos os candidatos, inclusive com o ex-governador Geraldo Alckmin (PSDB) e com o prefeito Gilberto Kassab (DEM).

Entre as questões econômicas, foi pouco preciso sobre o papel do Estado ao afirmar que defende “nem Estado mínimo, nem máximo, Estado necessário”. Declarou ainda que, em um eventual governo seu, o Banco Central teria a autonomia que goza no atual governo. “Está de bom tamanho”, afirmou. Em relação à taxa de juro, disse que, a despeito de ser alta, é a menor em 23 anos.

”Não me aventuro a falar mal da política de juros“, disse, justificando não querer que entendam que é uma crítica ao governo Lula.”

Pelo menos dez políticos do PSB acompanharam a entrevista patrocinada pelo jornal, além do deputado Aldo Rebelo (PCdoB-SP). A filha Lívia também estava presente.

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