22 de Janeiro de 2008 / às 16:04 / em 10 anos

Mercado brasileiro reage bem a Fed, mas descarta fim da crise

Por Vanessa Stelzer

SÃO PAULO (Reuters) - O mercado brasileiro gostou da decisão do Federal Reserve de reduzir a taxa de juros nesta terça-feira para estimular a economia norte-americana, mas ressaltou que o problema não chegou ao fim já que a crise imobiliária inegavelmente deixará suas marcas no crescimento mundial.

Segundo os analistas, as baixas recordes nos mercados mundiais na véspera e o baixo ânimo gerado pelo pacote de estímulo econômico proposto pelo presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, na última sexta-feira, levaram o Fed a reduzir os juros uma semana antes de sua reunião agendada.

“Eles (Fed) não estão para brincadeira, no sentido de deixar essa crise aumentar”, disse Miriam Tavares, diretora de câmbio da AGK Corretora.

Pouco antes das 11h30, o Fed anunciou o corte de 0,75 ponto percentual, para 3,5 por cento, na taxa básica de juros e de 0,75 ponto, para 4 por cento, na taxa de redesconto.

Miriam Tavares prevê uma recuperação dos mercados brasileiros, mas fez questão de descartar “muito entusiasmo e otimismo, porque a maré não está para peixe”.

“Vamos ver consequências disso, o crescimento mundial vai ser impactado. O mercado vai continuar volátil, o apetite por risco não vai voltar de uma hora para outra, mas aquele ambiente de pânico que estava se instalando vai se dissipar.”

Às 13h46, o dólar recuava mais de 1 por cento, cotado a 1,810 real, enquanto o principal índice da Bolsa de Valores de São Paulo subia 4,4 por cento.

MAIS AÇÃO

Os economistas disseram, no entanto, que dada a fraqueza do mercado na véspera --que normalmente é seguida por uma certa recuperação-- e o movimento surpresa do Fed, a melhora ainda era tímida, indicando que as preocupações persistem.

“O que o Fed fez hoje foi pouco usual e a bolsa poderia ter subido mais, o que mostra que o mercado está muito preocupado com a situação toda”, afirmou Vladimir Caramaschi, economista-chefe da Fator Corretora.

Em Wall Street, que esteve fechada na segunda-feira por um feriado, o dia era de perdas, mas numa intensidade muito menor do que logo após a abertura dos negócios.

Flávio Serrano, economista-chefe da López León Markets, vê a possibilidade de mais movimentos nas próximas reuniões do banco central norte-americano.

Ele manteve a previsão feita antes do corte desta manhã de que o juro norte-americano vai chegar a 3,25 por cento na reunião de abril, ressaltando os comentário do chairman do Fed de que o BC agirá quando necessário se o cenário econômico demandar.

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