23 de Outubro de 2008 / às 11:00 / em 9 anos

Itautec vence licitação para fornecer PCs sem insumos tóxicos

Por Taís Fuoco

SÃO PAULO, 23 de outubro (Reuters) - A Itautec ITEC3.SA, fabricante de computadores que pertence à holding Itausa, conseguiu um contrato para fornecer em torno de 2 mil microcomputadores à Universidade de São Paulo (USP) cuja licitação, pela primeira vez, incluiu uma recomendação de que as máquinas fossem livres de insumos tóxicos ao meio ambiente.

A venda foi feita em um leilão cujo principal requisito era o baixo preço, mas a inclusão da recomendação gerou também a idéia, no Centro de Computação Eletrônica da universidade, de criar um “selo verde” que abre um precedente para outros negócios, na opinião da companhia.

O vice-presidente comercial da Itautec, Claudio Vita, afirmou que “embora exista uma impressão de que as empresas falam em sustentabilidade e produtos ‘verdes’ como uma ação de marketing, na Itautec a preocupação ambiental já existe há sete anos”.

A linha de produção começou a ser adaptada em 2006 na fábrica de Jundiaí (SP). Os equipamentos para automação comercial e bancária já atendem à diretriz Rohs (Restriction of Hazardous Substances) porque, “se eu não atendesse, minha exportação para a Europa seria zero”, diz o executivo.

No mercado externo, o maior parque instalado da Itautec está em Portugal, mas ela também vende máquinas para Espanha e Itália e negocia contratos com Reino Unido e França.

Quase 90 por cento dos equipamentos que serão fornecidos à USP a partir de novembro são microcomputadores de mesa (desktops) e os restantes 10 por cento são notebooks. O gasto da universidade será de 2,4 milhões de reais, em um contrato de quatro anos que inclui o suporte técnico às máquinas.

SOLDA MODIFICADA

Parte da preocupação ambiental no processo produtivo envolveu, por exemplo, a troca da solda utilizada nos equipamentos. Enquanto a anterior utilizava liga de estanho e chumbo, a nova engloba estanho, cobre e prata.

Segundo a companhia, quase 2 mil componentes foram substituídos. Os notebooks também passaram a ser produzidos sem chumbo desde o último trimestre de 2007.

Segundo Vita, a iniciativa da companhia fez também com que os fornecedores tivessem de se adaptar. “Até os parafusos tiveram de atender às especificações”, citou Vita. Segundo ele, no início a Itautec enfrentou alguma dificuldade com os fornecedores, “mas depois todos se adaptaram”.

Enquanto algumas recomendações começam a aparecer nos pregões de governos, na inicitiva privada Vita acredita que esse tipo de exigência “vai ser uma tendência natural”, diante das preocupações crescentes com o descarte dos equipamentos eletrônicos.

CRISE PODE SER SENTIDA NA PONTA

Embora ainda não sinta os efeitos de uma possível crise econômica no consumo empresarial de informática, Vita teme que o mercado consumidor possa ser afetado.

Segundo ele, o custo para a indústria já aumentou, mas a Itautec ainda não fez nenhum repasse “porque o câmbio está absolutamente instável”.

De qualquer forma, ele acha que a sensação para o cliente final é de que o preço já subiu porque “o número de prestações caiu”, como efeito da restrição de crédito, o que eleva o preço das parcelas mensais.

“Na hora em que a indústria começar a repassar (o aumento de custos), o impacto será sério, com certeza”, previu.

Edição de Alberto Alerigi Jr.

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