23 de Novembro de 2007 / às 10:22 / em 10 anos

PSDB debate prévias para candidaturas, mas falta consenso

Por Carmen Munari

BRASÍLIA, 23 de novembro (Reuters) - Com dois potenciais candidatos à Presidência para 2010, os governadores José Serra (SP) e Aécio Neves (MG), o PSDB discute a realização de prévias. Mas para um partido acostumado a decisões de cúpula, a instituição de uma consulta aos filiados está longe de um consenso.

A adoção das prévias para a escolha dos candidatos tucanos para cargos majoritários (presidente, governadores, prefeitos e senadores) foi apresentada à Executiva do partido em outubro pelo senador Tasso Jereissati (CE), que deixa a direção da legenda nesta sexta-feira. Ele defendeu critérios claros para a definição dos candidatos, que tornam a escolha mais transparente.

Consultados durante o 3o Congresso Nacional do partido na quinta-feira, muitos tucanos se dizem favoráveis ao sistema, mas indicam que o tema encontra resistências.

“A idéia das prévias já passou pela Executiva, não é mais uma questão a ser discutida”, disse o senador Sérgio Guerra (PE), que assume a presidência do PSDB nesta sexta-feira.

Mas ele inverte sua opinião quando se trata da sucessão à Presidência. “Eu acho que é absolutamente evitável porque nós não vamos ter dois candidatos disputando essas prévias, acho que vamos ter um só candidato e vamos ganhar as eleições com ele.”

O senador também é vago quanto aos critérios para desempatar a escolha entre Serra e Aécio. “É cedo para desenvolver isso, mas seguramente serão critérios democráticos.”

De seu lado, José Serra não esconde seu incômodo com a medida. “Isso (as prévias) a gente vai ver mais adiante. A eleição está muito distante, estamos no primeiro ano do mandato do governo do Estado, eu fui eleito para ser governador de São Paulo, não para ser candidato”, disse. Mesmo para disputas municipais ele diz que “depende de cada município”.

O vice-governador de São Paulo, Alberto Goldman, foi mais direto ao afirmar que as prévias são impossíveis porque o país é grande, com muitos filiados.

Enquanto isso, Aécio se diz favorável, sem dar detalhes. “Qualquer sistema que amplie a possibilidade de participação dos militantes do partido, inclusive em candidaturas, tem o meu mais absoluto apoio”, disse o governador, ressalvando que não é candidato.

O ex-governador de São Paulo Geraldo Alckmin já defendia uma consulta às bases do PSDB em 2006, quando disputou a candidatura à Presidência com José Serra. “Defendo as primárias, amplia a democracia dentro do partido, oxigena, amalgama e dá unidade ao partido”, disse agora.

Ficou famosa a foto de quatro cardeais tucanos em um restaurante luxuoso de São Paulo em conversa para a escolha do candidato, que acabou recaindo em Alckmin.

Pela tangente, tucanos enxergam um novo partido, com autoridade para impor decisões de consenso de toda a Executiva.

“Com a decisão do Supremo Tribunal Federal, os partidos passaram a ter mais poder de decidir. Todos terão que acatar as decisões da Executiva”, disse o deputado Silvio Torres (SP), referindo-se à recente resolução do STF de que os mandatos pertencem aos partidos e não aos políticos.

De acordo com os favoráveis à consulta, experiências de países como Estados Unidos, Espanha, Chile, México e Argentina, onde partidos definem seus candidatos por meio de disputa interna, estão sendo estudadas para a fixação de um modelo para a legenda.

A intenção é que a proposta seja utilizada nas eleições municipais de 2008 e o primeiro teste será em João Pessoa (PB).

Edição de Renato Andrade

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