24 de Setembro de 2008 / às 17:27 / em 9 anos

PERDIGÃO prevê melhor margem no 2o sem. e oportunidade com crise

Por Roberto Samora

SÃO PAULO, 24 de setembro (Reuters) - Com a consolidação do repasse dos custos das matéria-primas para os preços de suas carnes exportadas, ao mesmo tempo em que as cotações do milho e da soja perderam força em relação às máximas atingidas neste ano, a Perdigão PRGA3.SA prevê uma melhora nas margens de lucro de suas exportações no segundo semestre.

Reforçada por uma receita semestral de 5,3 bilhões de reais, após oito aquisições nos últimos dois anos, a empresa afirma estar mais bem posicionada do que seus concorrentes internacionais para enfrentar os custos ainda pesados e a crise global de crédito, disse à Reuters o diretor de Finanças e de Relações com Investidores, Leopoldo Saboya.

“A absorção de custos para a Perdigão foi mais fácil do que para os outros competidores. Para a Perdigão, houve uma compressão de margens (no 1o semestre), enquanto as empresas norte-americanas, os nossos principais concorrentes em carnes de aves e suínos, não tiveram margens ou tiveram prejuízos”, afirmou Saboya, observando que a inflação de alimentos atingiu menos as empresas brasileiras, que contam com matérias-primas a valores mais competitivos.

Essa competitividade é uma das explicações para a maior empresa de carnes do mundo, a norte--americana Tyson Foods (TSN.N), ter aportado recentemente no Brasil, país que lidera as exportações mundiais de carne de frango.

Tal vantagem, no entanto, não impediu que a Perdigão tivesse no primeiro semestre aumentos de preços para seus produtos “aquém” da elevação nos custos, ponderou o diretor.

Mas, mesmo com essa “compressão” de margens, a companhia registrou crescimento de dois dígitos em seu Ebitda no semestre, de 25,4 por cento, para 419,6 milhões de reais, em meio a vendas no mercado externo de 2,36 bilhões de reais e de 3,73 bilhões de reais no doméstico, com altas semestrais de 55 e 81 por cento, respectivamente.

Agora a situação tende a ser diferente.

“O custo veio muito forte... já que os preços do milho subiram muito no final de 2007 e continuaram altos em 2008, e o repasse é feito paulatinamente... Agora o Brasil... conseguiu finalizar o processo de aumento dos preços de exportação e os custos arrefeceram, se estabilizaram. Voltamos a ter um cenário bem favorável”, destacou.

Segundo Saboya, “sem dúvida” o cenário tende a ser melhor no segundo semestre, embora a empresa esteja atenta à possibilidade de a crise global “mexer no consumo” no último trimestre do ano.

De qualquer forma, com os custos parando de subir desde agosto e o dólar mais forte frente ao real BRBY --após baixos níveis do primeiro semestre e uma mínima no ano de 1,557 reais em 1o de agosto--, a Perdigão prevê melhores ganhos futuros na moeda nacional com a conversão cambial das suas exportações.

APROVEITANDO A CRISE

Segundo Saboya, o crédito “secou para todo mundo”, com os bancos nacionais e estrangeiros digerindo tudo o que aconteceu recentemente no mercado, “mas a Perdigão está com uma posição de caixa tranquila”, com muitos investimentos ligados a financiamentos do BNDES.

Para ele, a empresa não pretende fazer nova emissão de ações e o momento nem seria adequado, mas a Perdigão poderia tirar algum proveito da crise. “Temos certeza que vão aparecer oportunidades tanto domésticas como internacionais... e agora com esse recrudecimento da crise financeira... companhias menos preparadas poderão ter problemas. Mesmo assim a empresa vai ter prudência para escolha dos alvos, se for o caso.”

CONSUMO NO BRASIL

A Perdigão, uma das maiores indústrias de aves e suínos do Brasil, com maior atuação no segmento de lácteos após a aquisição da Eleva em 2007, afirmou ter sofrido o mesmo aumento de custos superior à capacidade de repasse de preços no mercado interno.

E, segundo o diretor, à medida que esse repasse foi sendo feito chegou a um limite, com o consumidor passando a optar por outros produtos mais baratos da empresa. “Estamos fazendo o repasse contínuo de preços ao varejo desde o início do ano. Por isso agora vivemos um momento de acomodação de volumes e preços”, explicou o diretor, referindo ao que chamou de “down trading”, quando o consumidor começa a comprar produtos mais simples e mais baratos.

Embora a empresa não tenha detectado queda nos volumes vendidos, acrescentou ele, “para o final do ano acreditamos que vai ter essa acomodação”.

Edição de Marcelo Teixeira

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