23 de Julho de 2008 / às 12:13 / 9 anos atrás

Suzano tem lucro maior e prevê expansão de US$5 bi

Por Alberto Alerigi Jr.

SÃO PAULO (Reuters) - A Suzano Papel e Celulose registrou um aumento no lucro líquido do segundo trimestre e anunciou, nesta quarta-feira, projeto de expansão que ampliará sua capacidade de produção de celulose em 4,3 milhões de toneladas por ano, em investimentos de cerca de 5 bilhões de dólares.

O anúncio do projeto ocorre poucos dias depois que a maior produtora de celulose de eucalipto do mundo, Aracruz, divulgou viabilidade na instalação de sua terceira fábrica de celulose no país, em investimentos de 2,4 bilhões de dólares, que deve começar a operar em 2015.

Com a expansão, a capacidade total de produção de celulose da Suzano até 2015 mais que triplicará em relação aos 1,7 milhão de toneladas de 2008. Em termos que incluem produção de papel, a capacidade no período saltará de 2,8 milhões de toneladas anuais para 7,2 milhões de toneladas.

Às 10h15, as ações da Suzano subiam 2,82 por cento, cotadas a 25,50 reais, enquanto o índice Ibovespa avançava 0,58 por cento.

“As empresas estão crescendo muito e a demanda está crescendo ainda mais rápido que as empresas”, disse André Segadilha, analista da Prosper Corretora. “As empresas têm que crescer se não vão ser engolidas por outras”, afirmou o analista, acrescentando que vê o crescimento da capacidade da Suzano como positiva no longo prazo para as ações da empresa.

“Antigamente a concentração da Suzano era em papel, que tinha maiores margens. Mas hoje, a celulose está tendo demanda muito maior, além disso, a celulose de fibra curta está sendo usada em muitas outras funções que alguns anos atrás”, disse Segadilha.

O projeto de expansão, que ainda precisa ser aprovado pelo conselho de administração da Suzano, compreende três linhas de produção de celulose no Nordeste, além da ampliação da unidade de Mucuri, na Bahia.

Cada nova linha, a ser instalada nos Estados do Maranhão e Piauí, terá capacidade prevista de 1,3 milhão de toneladas por ano. A base florestal inicial no Maranhão será composta em parceria com a Vale .

“Os ativos florestais que já se encontram em formação, possibilitam a antecipação do início da produção (da nova unidade no sul do Maranhão) para 2013”, informou a Suzano em comunicado ao mercado.

O transporte da produção será realizado por ferrovias da Vale --Norte-Sul e Estrada de Ferro Carajás e a exportação será feita por terminal marítimo a ser definido na região de São Luís.

Já no Piauí, a base florestal a ser implantada será composta aproximadamente de 70 por cento de plantios próprios e de 30 por cento de outros produtores locais. O início da produção está previsto para 2014 na região e o transporte da produção da unidade será feito pela Companhia Ferroviária do Nordeste (CFN).

O investimento industrial em cada nova linha de 1,3 milhão de toneladas por ano é estimado em cerca de 1,8 bilhão de dólares e a ampliação da unidade de Mucuri ainda exigirá gastos de cerca de 500 milhões de dólares.

Com isso, se excluídos os recursos para a terceira linha no Nordeste, que ainda estão sendo avaliados, o valor a ser investido pela Suzano no Nordeste está em 4,1 bilhões de dólares. Se ainda forem somados os gastos de 700 milhões de dólares em base florestal, a conta vai para 4,8 bilhões de dólares, de acordo com comunicado da companhia.

LUCRO MAIOR NO TRIMESTRE

A companhia divulgou ainda nesta quarta-feira que teve lucro líquido de 185,56 milhões de reais no segundo trimestre ante ganho de 172,08 milhões de reais um ano antes. O resultado foi influenciado por efeitos contábeis, salto de vendas de celulose, que tiveram preços maiores no período e foram puxadas por nova linha de produção em Mucuri, e menores custos de venda.

A geração de caixa medida pelo lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) encerrou o trimestre com expressiva alta de 26,7 por cento, para o recorde de 353,75 milhões de reais. A margem subiu de 34 para 35,2 por cento.

Os resultados foram obtidos, apesar da despesa financeira extraordinária de 111 milhões de reais destinada à compra de ações de ex-controladores da fabricante de papel Ripasa.

A Suzano registrou ainda recorde em receita líquida, de 1 bilhão de reais, que foi 22,3 por cento maior que o segundo trimestre do ano passado.

Enquanto isso, em termos de volume, as vendas de celulose dobraram no período para 352 mil toneladas, impulsionadas por um salto de 139 por cento na produção, que passou a contar com a segunda linha na unidade de Mucuri.

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