23 de Setembro de 2008 / às 20:53 / em 9 anos

ATUALIZA-Alckmin acusa Kassab de usar a máquina para se eleger

(Texto atualizado com declarações de Alckmin e de Kassab)

SÃO PAULO, 23 de setembro (Reuters) - O candidato Geraldo Alckmin (PSDB) elevou as críticas nesta terça-feira e acusou o prefeito Gilberto Kassab (DEM) de utilizar a máquina da prefeitura para conquistar apoio a sua eleição. Disse ainda que a estratégia do rival visa desestruturar o PSDB.

O ex-governador, que vem elevando os ataques ao candidato do DEM desde que caiu nas pesquisas, enquanto Kassab subiu, também levantou suspeitas quanto aos métodos utilizados pelo prefeito, a quem acusou de cooptar tucanos.

“O Kassab é dissimulado. Ele usa as pessoas. Ele só tem uma estratégia que é minar o PSDB, desconstruir o PSDB em São Paulo para se eleger”, disse Alckmin em sabatina realizada pelo jornal Folha de S.Paulo.

“Ele utiliza a máquina da prefeitura, as estruturas de governo para minar o partido, o que nos parece deplorável”, acusou.

Alckmin, que considera legítima sua candidatura porque foi aprovada por convenção partidária, também questionou a adesão de vereadores tucanos à candidatura de Kassab. Segundo ele, na eleição de 2004, os doze vereadores eleitos tiveram 330 mil votos e o PSDB, como legenda, teve mais de meio milhão de votos, o que não caraterizaria apoio a outro candidato.

“Que mágica é essa que de repente vereadores não apóiam o candidato do seu partido? É bom a gente investigar”, avaliou.

Em outro momento, disse que, sob Kassab, houve loteamento de cargos e que as subprefeituras “viraram cabide eleitoral”.

Questionado se concordava com as acusações feitas neste mês pela vereadora e candidata a prefeita Soninha Francine (PPS) de que os vereadores recebem cargos ou dinheiro para aprovar projetos da prefeitura, Alckmin deu a entender que concordava.

“A Soninha disse grandes verdades. É que infelizmente na política não se coloca luz na verdade.”

O candidato, que disse que o PSDB foi fundado há 20 anos para se diferenciar desse tipo de prática, afirmou que em um eventual segundo turno quer “o voto de todos” contra a petista Marta Suplicy, líder das pesquisas de intenção de voto.

“O segundo turno é outra eleição. Zera tudo. Começa tudo de novo”, disse.

Alckmin voltou a comentar as ligações de Kassab com os ex-prefeitos Paulo Maluf (PP) e Celso Pitta, que deixou o cargo debaixo de um escândalo e de quem foi secretário de Planejamento.

Também reafirmou que o DEM impôs o nome de Kassab na chapa liderada por José Serra (PSDB) em 2004 para disputar a prefeitura. Dois anos depois, Serra concorreu ao governo do Estado e Kassab assumiu o posto.

A acusação de “golpe” para assumir a vice foi feita na última sexta-feira, quando a campanha do PSDB passou a bater forte no candidato do DEM, antigo aliado tucano.

Em seguida, Serra, sempre avesso a comentários eleitorais, divulgou nota na qual classificou Kassab de “leal” ao projeto iniciado por ele na prefeitura. Depois, um dos secretários tucanos da gestão Kassab saiu em defesa do atual prefeito, dizendo que Alckmin promove a desunião entre os dois partidos.

Alckmin disse que respeita a posição de Serra. “Vou citar (o filósofo espanhol) Ortega y Gasset: ‘Eu sou eu e as minhas circunstâncias’. Eu respeito o meu querido companheiro José Serra, que sempre apoiei em todas as eleições”, disse.

Kassab, durante atividade de campanha nesta terça-feira, alfinetou o tucano ao afirmar que está achando Alckmin muito nervoso, que ele não é assim normalmente e que seu comportamento pode decorrer de ele estar abaixo do segundo lugar nas pesquisas.

Na sabatina, Alckmin chegou a elogiar o projeto Cidade Limpa, criado pela prefeitura, e os Centros Educacionais Unificadas (CEUs), lançados por Marta na gestão de 2001 a 2004. Em programa de TV, ele já havia elogiado a criação pela petista do bilhete único para ônibus.

Quanto ao governo do presidente Lula, que foi elogiado por Kassab em sua sabatina, afirmou que deixou de fazer as reformas política, tributária, previdenciária, “não saíram do papel”.

Reportagem de Carmen Munari; Edição de Maurício Savarese

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