23 de Julho de 2008 / às 19:11 / 9 anos atrás

JURO-Mercado pende para alta de 0,75 pto da Selic, DI curto sobe

Por Silvio Cascione

SÃO PAULO, 23 de julho (Reuters) - As projeções de juros mais curtas fecharam em alta nesta quarta-feira, reforçando a aposta do mercado em um aumento mais firme do juro nesta noite pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central.

O contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) outubro de 2008, um dos mais negociados, subiu de 12,87 por cento para 12,92 por cento. O DI janeiro de 2009 avançou de 13,50 por cento para 13,52 por cento.

“O mercado está achando que pode vir realmente uma alta de 0,75 (ponto percentual)”, disse Carlos Cintra, gerente de renda fixa do Banco Prosper, no Rio de Janeiro.

O Copom elevou a Selic em 0,5 ponto em cada uma das duas últimas reuniões. A taxa está agora em 12,25 por cento.

As taxas mais longas também reagiram a essa aposta --mas com queda. “Subindo (a Selic) mais rápido você tem a chance de controlar a inflação com mais rapidez, e o tamanho total do ajuste seria menor”, disse Cintra sobre a queda da ponta mais longa da curva de juros.

A baixa do petróleo e outras commodities também ajudou na queda das taxas mais curtas. “Para o longo prazo facilita um pouco ter o petróleo com preços mais tranquilos”, disse Cintra. O barril da commodity recuou cerca de 4 dólares em Nova York.

O DI janeiro de 2010 recuou de 14,93 para 14,91 por cento.

“Do nosso ponto de vista, a aceleração do aperto monetário será a resposta correta do Banco Central para a piora da dinâmica inflacionária”, disseram em nota analistas do banco francês BNP Paribas.

ALTA DE 0,5 PTO NÃO ESTá DESCARTADA

Muitos analistas, no entanto, mantêm a projeção de mais uma alta de 0,5 ponto percentual do juro básico. Segundo Zeina Latif, economista-chefe do ABN Amro Real, a inflação ao consumidor tem mostrado sinais de alívio nas últimas semanas.

Foi o caso do Índice de Preços ao Consumidor Semanal (IPC-S), divulgado nesta manhã pela Fundação Getúlio Vargas (FGV). O índice desacelerou para alta de 0,67 por cento na terceira prévia de julho após 0,69 por cento no dado anterior.

“Como esperado, a inflação ao consumidor está recuando gradualmente, sendo orientada pela moderação dos preços de alimentos”, disse Luis Cezario, analista do Goldman Sachs.

“Mesmo assim, acreditamos que a inflação ao consumidor vai continuar alta, em níveis incompatíveis com a meta de 4,5 por cento”, acrescentou, citando como vilões os preços administrados, os do setor de serviços e os repasses da indústria.

No começo da manhã o BC realizou uma operação no mercado aberto para controlar a liquidez do sistema financeiro. Foram recolhidos 18,112 bilhões de reais dos bancos, por 1 dia, com remuneração de 12,18 por cento ao ano.

Edição de Vanessa Stelzer

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