24 de Outubro de 2008 / às 19:39 / 9 anos atrás

CENÁRIOS-Reforçado na eleição,PMDB será a "grande noiva" de 2010

Por Natuza Nery

BRASÍLIA, 24 de outubro (Reuters) - O PMDB não tem nomes naturais à sucessão presidencial, mas valorizou seu passe nesta eleição e se transformou na grande noiva de 2010.

A pesada vitória no 1o turno na atual disputa municipal --e a boa expectativa para o 2o-- consolidou o partido como sujeito mais cobiçado na corrida pelo Planalto daqui a dois anos.

Adversários, PT e PSDB já são pretendentes.

"O PMDB será protagonista. Com certeza participará de uma chapa na disputa em 2010", disse à Reuters o presidente do partido, deputado Michel Temer (SP).

O PT de Luiz Inácio Lula da Silva está obcecado com a idéia de fechar a aliança com o PMDB em torno da ministra Dilma Rousseff (Casa Civil), dizem fontes do partido e do Palácio. O PSDB de José Serra atua no mesmo propósito.

"Os PMDBs vão ser disputados. São Paulo e Pernambuco já estão com Serra", afirmou o presidente do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE), ilustrando a tradicional divisão da legenda.

Partido mais robusto do Parlamento e do país, o PMDB não fazia parte da base de Lula quando este foi eleito em 2002, mas participou do governo, inclusive com ministérios. No segundo mandato, passou a integrar formalmente a base aliada.

"Hoje há chance um pouco maior dele ficar com o PT", avaliou o deputado Maurício Rands (PE), líder do PT na Câmara.

"O risco é, por estar dividido, o PMDB decidir não se coligar com ninguém para ver quem ganha. Esse é um jogo que eles podem repetir", acrescentou.

Apesar da histórica aliança entre PSDB e DEM, o enfraquecimento deste último ao longo dos anos recentes poderia lançá-lo a um papel mais coadjuvante em 2010, com o risco de não assumir a vaga de vice na ventilada candidatura de Serra.

"O PMDB é um grande partido, é a maior noiva do Brasil" sinalizou Guerra.

CRISE GLOBAL

Apesar dos altos índices de aprovação, ficará difícil para Lula e o PT seduzirem o PMDB se a crise financeira global abater a economia do Brasil. Nesse caso, a popularidade do presidente, hoje na casa de 80 por cento, poderia minguar, fortalecendo a oposição na eleição nacional.

"Nesse caso, poderia diminuir a força dos que querem coligar com a gente dentro do PMDB", completou Rands.

Nem um dos dois lados que cortejam a "grande noiva" assume a tarefa da conquista como fácil, independente de cenários externos.

Apesar de não lançar um candidato ao comando do país desde 1994, o PMDB de diversas tendências ainda pode vislumbrar a proeza de ter um nome próprio. A hipótese, no entanto, é considerada remota.

No primeiro turno destas eleições municipais, o partido conquistou duas capitais, Campo Grande e Goiânia, e mais de 1190 cidades. Já é o melhor desempenho desta eleição.

No segundo turno, o PMDB disputa capitais de forte peso eleitoral e tem chance de vitória em grande parte delas. Está no páreo no Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Porto Alegre, Salvador, Florianópolis e Belém.

Em São Paulo, o prefeito Gilberto Kassab, que pode sair da eleição de domingo como a principal estrela do DEM, caso vença como indicam as pesquisas, tem como candidata a vice Alda Marco Antônio, do PMDB.

É exatamente esse gigante municipal que enche os olhos de tucanos e petistas com ambições claras para 2010.

Edição de Mair Pena Neto e Alexandre Caverni

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