23 de Julho de 2008 / às 22:27 / em 9 anos

Após licença prévia,Minc cobra novo sistema para lixo de Angra 3

SÃO PAULO, 23 de julho (Reuters) - O ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, cobrou da Eletronuclear um projeto para a destinação do lixo atômico que será produzido pela usina de Angra 3, que teve sua licença prévia confirmada nesta quarta-feira.

Um novo sistema de destinação dos resíduos da nova usina é um dos condicionantes incluídos na licença prévia.

Segundo Minc, a licença de operação, que deve ser emitida em aproximadamente quatro anos, quando a usina estiver pronta para iniciar geração, só será concedida se a questão for solucionada.

O ministro, historicamente contrário à geração nuclear de energia, criticou a maneira como as usinas Angra 1 e 2 gerenciam atualmente a questão do lixo radioativo.

“É verdade que uma solução super definitiva para o lixo não há, mas a situação atual é precária. Entre o ideal e o precário, há uma situação intermediária segura”, afirmou.

Segundo ele, Angra 1 e 2 despejam os resíduos em piscinas que ficam a poucos metros do mar. De acordo com Minc, essa situação representa um risco porque há a possibilidade de o nível do mar subir nos próximos anos, o que poderia causar contaminação nas águas na região.

O ministro sugeriu que a Eletronuclear, responsável pela operação das usinas, faça como alguns países desenvolvidos, onde o lixo é mantido em locais isolados, como minas desativadas.

“A Eletronuclear terá que propor um novo local. Tendo um local mais seguro, o lixo de Angra 1 e 2 também terá que ser destinado para lá. Agora, a bola está com o proponente (do projeto)”, acrescentou.

A expectativa do ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, é que as obras para a construção da usina sejam iniciadas já em setembro.

Mas Minc informou que a licença de instalação, necessária para o início da construção, só será concedida se a Eletronuclear apresentar todos os documentos e respeitar todas as condições da licença prévia concedida nesta quarta-feira.

“Não seremos otimistas ou pessimistas. Tecnicamente, é possível (que comece em 1o de setembro)”, disse ele.

PROTESTO

Do lado de fora do Ministério do Meio Ambiente, integrantes do grupo ambientalista Greenpeace protestaram contra a concessão da licença prévia para Angra 3.

Usando máscaras que simulavam uma situação vazamento radioativo, eles ficaram ao lado de uma placa com a foto do presidente do Ibama, Roberto Messias.

Uma faixa trazia a seguinte frase: “O Messias chegou, e traz más notícias”.

Reportagem de Fernando Exman; Edição de Marcelo Teixeira

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