23 de Janeiro de 2008 / às 18:17 / em 10 anos

Governo quer explorar capital político de cada ministro

BRASÍLIA (Reuters) - Depois de perder a votação da CPMF no Senado, no fim de 2007, o governo quer que os ministros utilizem o seu capital político junto aos parlamentares para assegurar que a base aliada no Congresso efetivamente funcione.

Essa foi a principal decisão da reunião ministerial desta quarta-feira, segundo relato do ministro das Relações Institucionais, José Múcio.

“Temos 53 senadores e precisamos administrar isso. Temos maioria para aprovar qualquer PEC”, afirmou Múcio, deixando claro que a derrota do governo na CPMF se deveu ao descuido do governo na sua relação com a base de apoio.

“Na Câmara, tivemos duas vitórias fantásticas. No Senado, se deu um embate político. A coisa foi fulanizada, houve descaso em coisas importantes”, disse Múcio, ainda referindo-se à votação da CPMF.

Para garantir o apoio mais firme dos partidos que integram a base aliada, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva quer o engajamento dos ministros.

“Esse foi um tema importante da reunião para que nós organizássemos mais o potencial político da cada ministro. O governo é resultado da coalizão de 14 partidos. Precisamos exatamente de troca de informação para que o governo atue politicamente como somatório do potencial de cada ministério”, disse Múcio.

A questão política, como proposto por Lula, foi a tônica da reunião. Falaram 18 ministros e a síntese foi aprimorar o relacionamento político com o Congresso e fortalecer a relação com as lideranças.

José Múcio disse que cada ministério tem que fazer a sua parte, atender mais parlamentares, mas a avaliação geral é de que falta uma troca maior de informações.

“Às vezes, um parlamentar não está sendo atendido em um ministério, mas está sendo atendido em outro”, disse Múcio, que passará a centralizar as informações. “Os ministérios nos informam os seus contatos, assim como informamos no que cada parlamentar já foi atendido.”

A maior integração entre os ministros e ministérios foi consequência da repreensão de Lula, que na abertura da reunião pediu maior diálogo entre sua equipe.

“Penso que entre vocês existe pouca conversa política. Eu diria que há meses e meses que vocês não conversam entre si, que não trocam idéias”, disse Lula.

“Certamente as pessoas conhecem menos do que deveriam conhecer das coisas que o governo faz porque o sistema de informação e comunicação entre nós talvez não seja o mais perfeito ainda”, acrescentou Lula, destacando que “a política é o centro da atividade de um governo”.

Texto de Mair Pena Neto, Edição de Alexandre Caverni

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