24 de Abril de 2008 / às 16:39 / em 10 anos

Inflação abate consumidor, indústria segue otimista

SÃO PAULO/RIO DE JANEIRO (Reuters) - A preocupação com o impacto da inflação de alimentos sobre a trajetória dos juros e o ritmo da economia derrubou a confiança do consumidor brasileiro em abril. O humor do empresário, por outro lado, continuou positivo e indicando maiores investimentos, segundo pesquisas divulgadas na quinta-feira.

A Fundação Getúlio Vargas (FGV) informou que seu índice relativo ao consumidor caiu 7 por cento sobre março, para 112,4 pontos, registrando a pior leitura desde setembro do ano passado. Já em relação a abril de 2007, houve alta de 6,3 por cento.

“Em grandes linhas, a dinâmica da economia brasileira está sendo captada pelo consumidor. Inflação mais alta com impacto nos juros provoca uma desaceleração da economia”, disse o economista da FGV, Aloisio Campelo.

Já a Confederação Nacional da Indústria (CNI) disse que seu indicador de confiança do empresário industrial aumentou pelo quarto trimestre seguido em abril e teve a melhor leitura desde janeiro de 2005.

A alta foi de 2,6 pontos percentuais sobre abril de 2007, para 62,0 pontos, e de 0,2 ponto contra janeiro, data do levantamento anterior.

“A elevada confiança dos empresários industriais reflete o bom desempenho da economia, segundo a pesquisa. Mais importante, no entanto, é que o resultado indica a manutenção da disposição dos empresários em investir e em aumentar a produção de suas empresas”, disse a CNI em nota.

COMPONENTES

Na pesquisa da FGV, o componente de percepção dos consumidores sobre a situação atual declinou 5,9 por cento mês a mês. O de expectativas caiu 7,5 por cento.

A previsão de inflação subiu de 5,9 por cento na média de março para 6,3 por cento em abril.

Além disso, 37,5 por cento dos entrevistados prevêem um aumento do juro nos próximos seis meses, maior patamar da série histórica iniciada em setembro de 2005. Segundo a FGV, apenas 12,9 por cento esperam queda do juro nos próximos seis meses, menor nível da pesquisa.

“O consumidor parece que está sendo racional. Com a perspectiva de um custo de financiamento mais caro, ele manifesta menos interesse em comprar bens duráveis.”

O índice foi mais influenciado pelo indicador de expectativas do que pelo indicador do cenário atual. Para Campelo, as avaliações sobre a situação atual, embora tenham apresentado queda em abril, ainda se mantém num nível elevado.

“Estamos mudando de um otimismo para um otimismo moderado. O índice de expectativas é o que mudou de trajetória agora em abril... A crise americana aparece como uma preocupação secundária. A preocupação maior é com fatores internos.”

A sondagem da FGV é feita em mais de 2 mil domicílios das sete principais capitais do país e foi realizada entre 1o e 21 de abril. A da CNI ouviu 1.490 empresas de 22 Estados entre os dias 31 de março e 23 deste mês.

Reportagem de Rodrigo Viga Gaier e Vanessa Stelzer; Edição de Daniela Machado

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