June 24, 2008 / 6:10 PM / in 10 years

Lula vê xenofobia em limites à imigração para países ricos

SÃO PAULO (Reuters) - Na presença de empresários pesos-pesados da economia brasileira, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva classificou nesta terça-feira de xenofobia as políticas restritivas de imigração dos países ricos e afirmou que essas nações temem perder o “status quo” com o avanço das regiões emergentes.

Lula vê xenofobia em limites à imigração para países ricos. Na presença de empresários pesos-pesados da economia brasileira, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva classificou de xenofobia as políticas restritivas de imigração dos países ricos. Foto do Arquivo. Photo by Stringer

“O vento frio da xenofobia sopra outra vez sua falsa resposta para os desafios da economia e da sociedade. Hoje como ontem o desemprego, a fome e a instabilidade financeira reclamam maior coordenação entre as nações e maior solidariedade entre os povos”, disse Lula em discurso durante encontro com empresários para tratar da questão dos direitos humanos.

Na semana passada, a União Européia decidiu que imigrantes ilegais podem ser detidos por até 18 meses e impedidos de retornar ao bloco num período de até cinco anos.

Lula se disse perplexo com o atual estágio dos relações humanas entre países, 60 anos após a assinatura da Declaração Universal dos Direitos Humanos.

“O mundo avançado, o mundo que nós chamamos de desenvolvido, é talvez uma parte do mundo hoje mais preconceituosa do que o Brasil, do que outros países”, declarou.

Ao invés de restringir a imigração, Lula defendeu a ajuda aos países pobres.

“Qual é o grande problema que nós temos no mundo desenvolvido hoje? É o preconceito contra a imigração. É o medo de perder seu status quo, é o medo de perder o emprego, é o medo de ter alguém ocupando seu espaço”, afirmou. “E isso hoje é um problema extremamente sério em toda a Europa. Não é proibindo os pobres de ir para a Europa, é ajudando a desenvolver os países pobres.”

Ainda segundo o presidente, o Brasil ganhou importância na esfera política e comercial, se expondo a críticas de fora. “Em nenhum momento da nossa história o Brasil foi tão levado a sério.”

Ao mesmo tempo, os países ricos passaram a apontar problemas no Brasil como a prática de trabalho escravo nas lavouras de cana-de-açúcar, matéria-prima do etanol.

“Tenho dito que o trabalho (na cana) é penoso, eu não gostaria de fazer, mas não é mais penoso do que o trabalho nas minas de carvão no século passado”, devolveu.

Lula pediu também aos empresários engajamento nas práticas de inclusão social no país. Estavam presentes, entre outros, o presidente do banco Itaú, Roberto Setubal; Roger Agnelli, da Vale do Rio Doce; Abílio Diniz, do Grupo Pão de Açúcar; e Antonio Carlos Valente, da Telefônica.

Reportagem de Carmen Munari; Edição de Eduardo Simões

0 : 0
  • narrow-browser-and-phone
  • medium-browser-and-portrait-tablet
  • landscape-tablet
  • medium-wide-browser
  • wide-browser-and-larger
  • medium-browser-and-landscape-tablet
  • medium-wide-browser-and-larger
  • above-phone
  • portrait-tablet-and-above
  • above-portrait-tablet
  • landscape-tablet-and-above
  • landscape-tablet-and-medium-wide-browser
  • portrait-tablet-and-below
  • landscape-tablet-and-below