24 de Julho de 2008 / às 19:14 / 9 anos atrás

Dólar ignora turbulência externa e cai após alta da Selic

Por Silvio Cascione

SÃO PAULO (Reuters) - O aumento do juro pelo Banco Central fez o dólar cair nesta quinta-feira para o menor nível em mais de nove anos, mesmo com a intensa queda das bolsas e o aumento da aversão a risco no exterior.

A moeda norte-americana terminou o dia a 1,579 real, em baixa de 0,38 por cento. É a menor cotação de fechamento desde 19 de janeiro de 1999, dias após o Brasil adotar o regime de câmbio flutuante.

O BC anunciou na véspera um aumento de 0,75 ponto percentual na taxa de juro para combater as pressões inflacionárias. A Selic, agora a 13 por cento ao ano, havia subido 0,5 ponto percentual nas duas reuniões anteriores.

"Já estava prevista uma possível alta de 0,5 (ponto). E hoje você vê que o real se valorizou mais ainda. Isso porque (o aumento do juro) não foi de 0,5 (ponto), foi de 0,75", disse Tarcísio Rodrigues, diretor de câmbio do Banco Paulista.

A queda do dólar ocorreu a despeito da turbulência no exterior. As bolsas nos Estados Unidos caíam quase 2 por cento à tarde por conta da alta do petróleo e da queda das vendas de moradias usadas para o menor nível em 10 anos.

O risco Brasil subia 8 pontos, e a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) recuava 1,7 por cento.

Com o juro maior, aumenta o espaço para as chamadas operações de arbitragem. Nelas, por meio de transações no mercado de derivativos, os investidores aproveitam a diferença entre o juro praticado no Brasil e no exterior. Nos Estados Unidos, por exemplo, a taxa básica está em 2 por cento ao ano.

Na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F), os estrangeiros já tinham em derivativos cambiais na quarta-feira mais de 6 bilhões de dólares em posições vendidas. Quando o agente detém uma posição vendida em dólar, ele lucra com a desvalorização da moeda diante do real.

Segundo Rodrigues, o grau de investimento obtido há alguns meses pelo Brasil potencializa o efeito que a alta do juro tem sobre o dólar. "Muitos fundos não podiam aplicar no Brasil, e agora podem", disse.

O Banco Central realizou no meio do dia um leilão de compra de dólares no mercado à vista. Foram aceitas duas propostas, segundo um operador, com taxa de corte de 1,5746 real.

Edição de Vanessa Stelzer

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