24 de Outubro de 2008 / às 09:07 / 9 anos atrás

RPT-Lucro da VALE quase triplica no 3o tri e atinge recorde

(Repete matéria publicada na noite da véspera)

Por Denise Luna

RIO DE JANEIRO, 24 de outubro (Reuters) - O lucro da Vale (VALE5.SA) quase triplicou no terceiro trimestre do ano, para surpresa do mercado, e atingiu recorde de 12,4 bilhões de reais, contra 4,65 bilhões de reais registrados há um ano, ficando bem distante das previsões de analistas.

A empresa justificou o bom resultado com receitas operacionais também recordes e um impacto cambial positivo de 2,849 bilhões de reais antes do Imposto de Renda.

Uma pesquisa com cinco analistas ouvidos pela Reuters apontava lucro de 4,6 bilhões de reais, em média, em linha com o segundo trimestre e o terceiro trimestre de 2007.

“Como a Vale possui uma posição de ativos líquidos em moedas estrangeiras, dado seu caráter de empresa global... uma desvalorização (valorização) do real em relação ao dólar americano tende a impactar positivamente (negativamente) seu lucro”, afirmou a companhia em nota nesta quinta-feira.

Nos primeiros nove meses de 2008, o lucro líquido atingiu 19,2 bilhões de reais, 23,5 por cento maior do que o resultado do mesmo período de 2007.

Um dos analistas, que projetava lucro em torno de 5 bilhões de reais, avaliou após a divulgação dos dados que os números vieram em linha com o esperado operacionalmente, mas que as aplicações financeiras e a inesperada reversão do Imposto de Renda foram os motivos para a surpreendente elevação do lucro.

“Eu considerei que as aplicações do caixa seriam metade dólar, metade real, de repente fizeram outra coisa, e também a questão do imposto de renda ajudou a companhia”, disse a fonte, sem dar detalhes por ainda estar analisando o balanço.

RECEITA RECORDE

A receita bruta da companhia no terceiro trimestre foi recorde em 21,4 bilhões de reais, alta de 33,4 por cento em relação ao mesmo período do ano passado. O aumento de preço do minério de ferro, obtido este ano pela companhia, entre 65 e 71 por cento contra 2007, garantiu ganho de 5,683 bilhões de reais no terceiro trimestre, enquanto o aumento do volume de vendas contribuiu com 1,639 bilhão de reais, informou a Vale.

Por outro lado, disse a companhia em um comunicado, “a apreciação do real frente ao dólar americano no período (também) contribuiu para redução na receita da ordem de 1,972 bilhão de reais”.

Pesou negativamente ainda o preço do níquel, que ajudou a reduzir a participação dos minerais não ferrosos na receita total, de 42,2 para 25,5 por cento em um ano. Os minerais ferrosos com isso subiram de 49 para 65,8 por cento.

Do total da receita, 40,6 por cento vieram de vendas para a Ásia, sendo a China o principal mercado com participação de 20,1 por cento na receita da Vale; 30,7 por cento dos ganhos vieram das Américas; 24,6 por cento do mercado europeu e 4,1 por cento de outras regiões do mundo.

O custo dos produtos da companhia cresceram 17,3 por cento, para 7,5 bilhões de reais, descontada a depreciação.

“Espera-se que a desaceleração da economia global concorra para diminuir as pressões inflacionárias. Ao mesmo tempo, é provável que a expansão da produção global de minérios e metais se expanda mais lentamente, o que deverá contribuir para a redução dos custos de insumos e serviços para a mineração”, avaliou a Vale em nota.

O consumo de energia foi o segundo maior item do custo dos produtos vendidos, correspondendo a 19,2 por cento do total. O custo teve alta de 35,7 por cento na comparação com o terceiro trimestre de 2007, totalizando 1,6 bilhão de reais.

A empresa explicou que apesar do aumento de produção da ordem de 15 milhões de toneladas nos primeiros nove meses de 2008, a Vale teve que comprar mais minério de terceiros do que no ano passado, passando de 5,8 milhões de toneladas entre janeiro e setembro do ano passado para 9,4 milhões de toneladas este ano.

A Vale obteve ainda geração recorde de caixa medida pela Ebitda (lucro antes juros, impostos, depreciação e amortização), de 11,4 bilhões de reais, aumento de 41,9 por cento em relação há um ano.

“A variação de 3,355 bilhões de reais entre os períodos é consequência principalmente do aumento do lucro operacional de 3,125 bilhões de reais e incremento de 228 milhões de reais na depreciação”, explicou a companhia.

A dívida total da Vale em 30 de setembro de 2008 era de 19,188 bilhões de dólares, com prazo médio do endividamento de 9,34 anos e custo médio de 5,76 por cento ao ano.

CRISE

A companhia projeta dificuldades para a economia mundial nos próximos meses, “com o ritmo de crescimento caindo no curto prazo ao nível observado na recessão de 2001”, disse em nota, ressaltando que uma recuperação gradual poderá começar no segundo semestre de 2009, “voltando à tendência de longo prazo possivelmente apenas em 2010”.

Para a China, maior mercado da companhia, as previsões também são de recuo do forte crescimento por conta da recessão no mercado norte-americano.

“O crescimento da China, a maior economia emergente, caiu... e deverá se enfraquecer ainda mais no restante do ano. A demanda externa líquida será negativamente afetada pelo enfraquecimento econômico da Europa e dos EUA e o aperto do crédito doméstico”, avaliou a companhia.

Mas a Vale destacou que o governo chinês deverá adotar medidas para garantir o crescimento e a economia deverá ser reacelerada no segundo semestre de 2009.

Edição de Roberto Samora

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