24 de Fevereiro de 2008 / às 20:03 / em 10 anos

Partido conservador de Merkel vence eleição de Hamburgo

Por Noah Barkin

BERLIM (Reuters) - O partido conservador da primeira-ministra alemã, Angela Merkel, manteve o poder em Hamburgo, norte da Alemanha, no domingo, em eleições que também determinaram avanços para um novo partido de extrema esquerda.

O premiê e aliado de Merkel, Ole von Beust, do partido Cristão Democrata (CDU, na sigla em alemão), deverá se manter no poder na cidade portuária, que ele administra desde 2001, com projeções de obtenção de 43 por cento dos votos, segundo uma pesquisa de boca-de-urna da rede de televisão ZDF.

Ele deve, no entanto, perder a maioria absoluta no Parlamento e será forçado a formar uma coalizão, provavelmente com o Partido Verde ou o Partido Democrata Social (SPD, na sigla em alemão), de centro-esquerda, que obtiveram 34 por cento dos votos, segundo a pesquisa de boca-de-urna.

Merkel, que comanda uma economia robusta, continua popular em seus dois anos de governo, depois de derrotar o predecessor Gerhard Schroeder por uma pequena margem de votos e assumir o poder com uma “grande coalizão” inusitada com o SPD.

O CDU vem apresentando quedas de popularidade nas eleições regionais deste ano, prejudicando suas chances nas próximas eleições regionais de 2009.

Seu rival tradicional, o SPD, está ainda mais fraco --uma situação que poderia aumentar as tensões na coalizão de Markel conforme as eleições nacionais se aproximam.

Os problemas do SPD são, em parte, devido ao Partido de Esquerda, um grupo de ex-comunistas e dissidentes do SPD, que até o mês passado tinha alcançado votações expressivas apenas em estados da antiga Alemanha Oriental.

O Partido de Esquerda, que recebeu muitos votos em Hamburgo em decorrência de um escândalo de sonegação de impostos de grandes empresas, conseguiu chegar aos 6,5 por cento, elegendo seu quarto deputado estadual na parte ocidental do país.

Como em uma eleição no mês passado na cidade de Hesse, em que o Partido de Esquerda também teve uma boa votação, o CDU e o SPD, os maiores partidos da Alemanha, não conseguiram apoio para assumir o controle de Hamburgo com uma coalizão com os partidos de sua preferência.

Essa situação delicada poderá gerar alianças políticas inéditas, como, por exemplo, entre o CDU e os ambientalistas do Partido Verde. Caso uma aliança desse tipo seja bem-sucedida, poderá ser reproduzida no nível federal no ano que vem.

O SPD já excluiu a possibilidade formar uma coalizão com o Partido de Esquerda, que é liderado por Oskar Lafontaine, ex-presidente do SPD e ministro das Finanças de Schroeder, que é desprezado pela maioria dos membros de seu antigo partido.

A liderança do SPD está flertando com a idéia de usar os votos do Partido de Esquerda para assumir o controle de Hesse, depois que uma votação no Parlamento, em janeiro, entrou num beco sem saída.

A situação pode ter afugentado sua base moderada em Hamburgo, uma cidade de contrastes que abriga tanto as pessoas mais ricas da Alemanha e uma grande comunidade de imigrantes e operários, graças a seu importante porto e uma fábrica da Airbus.

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