April 25, 2008 / 3:32 PM / 11 years ago

Linhas aéreas crescem na A. Latina mesmo com alta de combustível

Por Todd Benson e Chris Aspin

SÃO PAULO/CIDADE DO MÉXICO (Reuters) - O desempenho das principais companhias aéreas da América Latina continua forte, mesmo com a disparada do preço do combustível, devido ao crescimento do tráfego de passageiros puxado pela expansão das economias da região.

Do Chile ao México, as viagens aéreas crescem com a chegada do crescimento econômico à maioria da população, permitindo que milhões possam viajar pela primeira vez.

Graças ao salto na demanda, ao corte feroz de custos e às tarifas geralmente exorbitantes, as principais linhas da América Latina ou estão lucrando ou chegando perto da lucratividade —diferentemente do resto do setor, que sofre com prejuízos.

No Brasil, onde dois acidentes e uma crise de tráfego aéreo em menos de dois anos fizeram pouco para esfriar o mercado da aviação, companhias estrangeiras e novos atores aparecem para participar da festa.

Nos últimos meses, a alemã Lufthansa, a LAN Peru e a TAP Portugal assinaram acordos de code-share com a TAM, principal empresa aérea do Brasil. A KLM Royal Dutch Airlines e a Air France não ficaram atrás e assinaram com a arquirrival da TAM, a Gol.

Além disso, no mês passado, o fundador da JetBlue Airways, David Neeleman, divulgou planos para abrir uma nova companhia de baixo custo no Brasil. A previsão de início dos vôos é para 2009.

“O Brasil é o mercado de aviação mais importante da América Latina, e se ele não tivesse fundamentos atraentes no longo prazo, nós não veríamos essas companhias internacionais martelando a porta para poder entrar”, disse Stephen Trent, analista do setor aéreo do Citigroup, em Nova York.

Mesmo assim, o Brasil não está imune aos problemas que afligem o setor nos Estados Unidos, onde as linhas aéreas estão sob pressão de fusão para cortar custos e melhorar a receita.

Em novembro, a BRA entrou em colapso depois que sua receita não cobriu o aumento dos custos. Neste mês, a OceanAir suspendeu vôos para o México, e a Varig —comprada pela Gol no ano passado— cancelou todas as rotas para Europa e México. As duas culparam o aumento do preço dos combustíveis.

A TAM e a Gol, que comandam mais de 90 por cento do mercado brasileiro de aviação, também viram redução do lucro nos últimos trimestres. Mas as duas continuam lucrativas mesmo com a disparada do combustível, com ganho em 2007 de 264,5 milhões de dólares da TAM e de 52,6 milhões de dólares da Gol.

Isso contrasta com os Estados Unidos, onde a Delta Air Lines e a Northwest Airlines anunciaram prejuízo conjunto de 10,5 bilhões de dólares no primeiro trimestre por causa dos combustíveis.

LAN VOA ALTO, MÉXICO DECOLA

A chilena LAN Airlines e a panamenha Copa Airlines também estão ganhando dinheiro, e muito. O lucro líquido da LAN subiu 28 por cento no ano passado, para 308,3 milhões de dólares, e a Copa Holdings, matriz da Copa e da colombiana Aero Republica, teve lucro recorde de 160,4 milhões de dólares.

A LAN, cuja unidade de cargas ajudou a compensar oscilações negativas no tráfego de passageiros, estimulou a demanda com a redução das tarifas de curta distância e manteve um olho nos custos com a adoção de aviões mais eficientes em combustível e o corte de mimos como refeições grátis e jornais.

A empresa também amorteceu o impacto da alta do combustível com a adoção de uma sobretaxa sobre os clientes de cargas.

No México, o mercado de aviação é bem mais abarrotado. Cerca de 12 linhas operam, metade delas são companhias de baixo custo que foram fundadas nos últimos dois anos, e a maioria provavelmente ainda seria lucrativa se não fossem os combustíveis e a saturação do mercado.

Tradicionalmente, os céus do México foram dominados pela Aeromexico e pela Mexicana, antigas estatais que foram privatizadas nos últimos anos. Elas ainda são as duas principais companhias, mas outras como Volaris e Alma já colaram em seus calcanhares.

Como as empresas brasileiras, as mexicanas se beneficiam do aumento do tráfego de passageiros, que passaram a voar em vez de viajar de ônibus. O tráfego está crescendo a uma taxa de dois dígitos tanto em vôos internos como nas rotas para os Estados Unidos.

“O México é um país modelo, com as empresas de baixo custo e as duas empresas herdadas do governo expandindo o mercado e aumentando o tráfego com novos passageiros”, disse Bob Booth, especialista em aviação e presidente da AvGroup, em Miami.

Uma indicação do crescimento do mercado é a velocidade em que as companhias mexicanas estão ampliando as rotas.

A Mexicana vai começar a voar de Monterrey para Nova York em maio, e de Cidade do México para Edmonton, no Canadá, em junho. A Aeromexico vai iniciar um serviço para a China no ano que vem, e as empresas de baixo custo também lançam vôos domésticos e para os Estados Unidos.

Mas a grande quantidade de empresas também significa que a consolidação pode estar no horizonte.

“Vamos ver algum tipo de consolidação, com fusões e aquisições”, disse Booth.

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