25 de Agosto de 2008 / às 14:16 / 9 anos atrás

Leasing dispara e volume de crédito no país é recorde

Por Isabel Versiani

BRASÍLIA (Reuters) - As operações de crédito oferecidas pelo sistema financeiro do país cresceram 1,7 por cento em julho e alcançaram 37 por cento do Produto Interno Bruto (PIB), maior nível da série do Banco Central, iniciada em 1994.

O crescimento, que ocorreu a despeito do processo de elevação do juro, refletiu principalmente a escalada das operações de leasing e, no caso das empresas, também de linhas de capital de giro.

O chefe do Departamento Econômico do BC, Altamir Lopes, afirmou nesta segunda-feira, ao apresentar os dados, que a expectativa é de que o crédito desacelere lentamente nos próximos meses e o estoque total chegue ao fim do ano em 40 por cento do PIB.

"O que se espera é que essas taxas (de crescimento do crédito) apresentem acomodação até o final do ano", disse a jornalistas. Ele acrescentou que, com a ocupação e a renda em alta, os consumidores tendem a buscar mais crédito --o que torna a desaceleração gradual, apesar do juro ascendente.

No mês passado, o volume de crédito somou 1,086 trilhão de reais, com crescimento de 32,7 por cento em 12 meses.

As operações de capital de giro de pessoas jurídicas tiveram alta de 4,1 por cento no mês. No mesmo período, o leasing, modalidade de aluguel de equipamentos e veículos em que o tomador tem opção de compra no final do contrato, cresceu 6 por cento. Em 12 meses, a salto do leasing foi de 105,7 por cento.

O leasing é isento do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) que recai sobre as modalidades regulares de empréstimo e os juros também tendem a ser menores por ser considerado uma modalidade segura para o emprestador. É atualmente usado como forma de financiamento em quase 40 por cento dos veículos adquiridos no país.

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, negou na semana passada especulações crescentes de que o governo estudaria formas de taxar essa modalidade de empréstimo para conter o consumo.

EMPRÉSTIMOS MAIS CAROS

A taxa média de juro cobrada pelos bancos subiu para 39,4 cento em julho, maior nível desde janeiro de 2007 e também acima dos 38,0 por cento de junho.

O encarecimento do crédito acompanhou a elevação da taxa de captação dos bancos, que reflete a política monetária restritiva adotada pelo BC, e também um aumento do spread bancário.

O spread, que representa a diferença entre a taxa de captação dos bancos e a cobrada dos clientes, ficou em 25,6 pontos percentuais, ante 24,5 pontos no mês anterior. Para Altamir, o aumento indica uma preocupação dos bancos com o risco das operações diante do aumento de custo para os tomadores.

A inadimplência teve ligeira alta em julho e chegou a 4,2 por cento, frente a 4,0 por cento em junho. O prazo médio dos empréstimos caiu um dia em julho, para 373 dias corridos, mas em 12 meses aumentou 41 dias.

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