26 de Fevereiro de 2008 / às 14:51 / 10 anos atrás

Mais índices confirmam inflação menor no curto prazo

Por Vanessa Stelzer

SÃO PAULO (Reuters) - Mais uma rodada de índices mostrou nesta semana desaceleração da inflação no Brasil por conta da menor pressão de alimentos. Embora um deles tenha superado as previsões e gerado aumento dos juros futuros, analistas apontam manutenção da Selic na próxima reunião do Banco Central.

Já a trajetória do juro básico à frente vai depender mais dos próximos dados de atividade que dos índices de preços --o que, por enquanto, divide o mercado entre os que apostam em queda ou alta da Selic.

“A tendência da inflação de curto prazo é de desaceleração, conforme mostraram os últimos números. São fatores pontuais de desaceleração, vindo sobretudo dos alimentos... Esses últimos números podem dar uma contida nas expectativas de inflação do ano”, disse Fabio Knijnik, economista do Bes Investimento.

Nesta terça-feira, a Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) informou que a inflação ao consumidor de São Paulo caiu para 0,16 por cento na terceira quadrissemana de fevereiro, ante 0,22 por cento na segunda. O dado foi o menor desde meados de novembro do ano passado.

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo-15 (IPCA-15) avançou 0,64 por cento neste mês, abaixo da variação de 0,70 por cento vista em janeiro.

Mas o dado superou o teto das projeções obtidas pela Reuters, de 0,62 por cento, e os juros na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F) abriram o dia em alta.

FUTURO AINDA INCERTO

“O IPCA-15 veio um pouco distorcido por causa da pressão de educação. E por conta do calendário que mede (15 de janeiro a 14 de fevereiro), o índice ainda não pegou com consistência a desaceleração dos alimentos que deveremos ver no IPCA fechado do mês. O IPCA deve vir menor”, afirmou Flávio Serrano, economista-chefe da López León Markets.

“De qualquer forma, isso não vai fazer com que o mercado passe a acreditar em alta de juros” na reunião de março.

O Comitê de Política Monetária (Copom) reúne-se em 4 e 5 de março e a expectativa é de que a Selic seja mantida em 11,25 por cento ao pela quarta vez.

Serrano acredita que a próxima vez em que o BC mexer no juro será para baixo, ainda neste ano. Já Knijnik, do Bes, prevê alta em abril ou em junho.

“Sou mais agressivo em relação aos juros e prevejo aumento, mas esse IPCA-15 não é argumento para usar, dizendo: ‘está vendo? A inflação está subindo’. O BC está mais preocupado com atividade”, disse Knijnik.

Na véspera, a FGV informou que o Índice de Preços ao Consumidor Semanal (IPC-S) subiu 0,23 por cento na terceira leitura do mês, bem abaixo da alta de 0,48 por cento na segunda. Na quinta-feira, a FGV divulgará o Índice Geral de Preços do Mercado (IGP-M) de fevereiro.

A principal contribuição para a desaceleração dos três índices desta semana veio dos alimentos, que revertem neste mês a forte alta mostrada desde o final do ano passado.

Essa elevação foi causada por entressafras de alguns produtos, elevadas cotações de commodities no mercadointernacional e colheitas prejudicadas pelo clima quente e chuvoso de janeiro.

No IPC-S e no índice da Fipe, os preços de educação aceleraram em janeiro e estão revertendo a alta em fevereiro, enquanto a metodologia do IPCA-15 faz o indicador apurar essa pressão apenas neste mês. O IPCA fechado de janeiro também deve captar um aumento nos preços de educação.

Edição de Daniela Machado

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