26 de Março de 2008 / às 17:01 / 9 anos atrás

Nova Bolsa prevê aval de acionistas em abril; ações sobem

Por Daniela Machado

SÃO PAULO (Reuters) - A Bovespa e a Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F) esperam receber até o final de abril a benção de seus acionistas para a integração que criará a terceira maior bolsa do mundo em valor de mercado.

A companhia, batizada provisoriamente de Nova Bolsa, será dividida igualmente entre as duas instituições originais. Para viabilizar essa “união de iguais”, os acionistas da Bolsa de Valores de São Paulo receberão 1,24 bilhão de reais da BM&F --o que representa bonificação de 1,76 real por ação .

“Nós participaremos efetivamente como grande player global, é uma nova visão geopolítica”, afirmou Raymundo Magliano, presidente da Bovespa.

Na véspera, as instituições anunciaram a aprovação da integração pelos conselhos de administração. Além do aval dos acionistas, o acordo precisa ser validado pelos órgãos reguladores do mercado e da concorrência.

A estimativa preliminar é de que a reorganização societária poderá, até 2010, gerar uma economia de até 25 por cento nas despesas operacionais anuais --que hoje são de 250 milhões de reais para cada bolsa.

“O que vamos economizar é na infra-estrutura. Essas sinergias serão obtidas principalmente em tecnologia”, disse o diretor-geral da Bovespa, Gilberto Mifano.

Entre analistas, a avaliação do negócio é positiva e vista como um fator que pode dar força para o Brasil liderar um processo de consolidação das bolsas na região.

As ações das duas bolsas decolaram mais de 10 por cento no início do pregão. Às 13h53, os papéis da Bovespa Holding avançavam 5,84 por cento, para 26,30 reais, e os da BM&F subiam 3,75 por cento, a 17,43 reais --ainda abaixo do preço de estréia no ano passado, de 20 reais.

“Esse nível de preços mostra uma relação justa entre as bolsas”, avaliou Ricardo Tadeu Martins, gerente de pesquisa da Planner. O gerente lembrou que, no momento da oferta inicial (IPO), havia uma certa euforia no mercado.

“QUEM SABE FAZ A HORA”

O acordo dará musculatura para que a Nova Bolsa cresça na região, mas os executivos das duas instituições destacaram que ainda há espaço para expansão em negócios no próprio país. “Diferentemente das economias maduras, em que as bolsas precisam comprar outras bolsas para crescer, temos muito o que expandir em volume”, disse Edemir Pinto, diretor-geral da BM&F.

Mifano acrescentou que estão sempre de olho em boas oportunidades de aquisição ou parceria, mas não vê necessariamente o momento atual --de crise externa, com baixa no valor de diversos ativos fora do Brasil-- como uma ocasião especial para compras.

Questionado se as turbulências não seriam um obstáculo à integração, Mifano citou que a crise não é do país. “Estamos num contexto positivo no Brasil... e, como dizia o poeta, ‘quem sabe faz a hora’, este é o momento sim.”

Mesmo depois das aprovações finais, a união será gradual. Um comitê de transição funcionará até 31 de dezembro para trabalhar na integração de estruturas importantes, como a das clearings.

Caberá a esse comitê indicar, em até 60 dias após a aprovação do negócio pelas assembléias gerais, o novo presidente do conselho e o novo diretor-geral --para que sejam eleitos pelo conselho de administração da Nova Bolsa.

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