27 de Fevereiro de 2008 / às 19:51 / em 10 anos

PRÉVIA-Lucro da VALE deve subir no 4o tri, mas sem recordes

Por Denise Luna

RIO DE JANEIRO, 27 de fevereiro (Reuters) - Preços e produção maiores devem garantir um quarto trimestre favorável para a Vale (VALE5.SA), mas sem recordes. O resultado foi contido por preços menores para alguns produtos não-ferrosos e pela valorização do real.

A gigante da mineração divulga o ganho obtido de outubro a dezembro de 2007 na quinta-feira, depois do fechamento do mercado.

O anúncio ocorre em momento de grande expectativa do mercado em relação a uma possível compra da Xstrata, o que impediu vários bancos envolvidos no empréstimo para a aquisição da mineradora anglo-suiça de divulgar estimativas, como Credit Suisse, JP Morgan e Santander.

Sem muitas surpresas no último período do ano, a Vale deve apresentar lucro pelo padrão norte-americano (USGAP) 44 por cento maior no quarto trimestre em relação ao mesmo período do ano anterior, ou 2,3 bilhões de dólares.

O resultado só não será melhor devido à forte valorização do real no período, de cerca de 7 por cento, e à queda de preços de alguns produtos comercializados pela mineradora, como alumínio, níquel e o cobre.

“Nossa expectativa é que os preços desses produtos permaneçam nestes patamares ao longo de 2008”, afirmou em relatório o analista Rodrigo Ferraz, da Brascan Corretora.

Apesar da empresa ter produzido 14 por cento a mais de cobre e 24 por cento a mais de níquel no quarto trimestre, o analista avalia que a demanda permaneceu praticamente estável em relação ao trimestre anterior.

Já o minério, que recebeu alta de 9,5 por cento no ano passado e contribui com cerca de 40 por cento da receita da Vale, continuou com o mercado aquecido no quarto trimestre e garantiu para 2008 aumento de até 71 por cento.

A maioria dos analistas espera que a receita da companhia também cresça em relação ao quarto trimestre de 2006, mas fique em linha ou um pouco abaixo do trimestre anterior. Mais de 80 por cento do que a Vale produz é vendido para fora do país e sofre impacto quando o real se valoriza.

Por outro lado, a depreciação da moeda norte-americana deve beneficiar a dívida da companhia.

“O câmbio tem impacto pelo dois lados, mas o impacto na receita vai ser maior do que na dívida”, afirmou a analista da corretora Àgora Cristiane Viana.

O ajuste de 65 e 71 por cento do minério para 2008 e a expectativa da compra da Xstrata, ainda em plena e complexa negociação, levam os analistas a recomendarem a compra das ações da companhia, que estaria cerca de 25 por cento abaixo do preço justo.

“Foi um ano bom e este ano será melhor, os resultados de 2007 foram bastante consistente e as margens serão satisfatórias”, avaliou Cristiane, prevendo números recordes na consolidação do ano de 2007 comparada à de 2006.

A analista estimou lucro de 3,6 bilhões de reais pelo critério brasileiro de divulgação de balanços (BRGAP) para o quarto trimestre, e lucro anual de 19,3 bilhões de reais. Em 2006, o lucro da mineradora foi de 13,4 bilhões de reais.

A tabela a seguir mostra as estimativas médias de quatro analistas para os resultados trimestrais da Vale. Os valores seguem a contabilidade norte-americana (USGAP), em bilhões de dólares.

PREVISÃO 2007 2006 2007 VARIAÇÃO

4o TRI 4o TRI 3o TRI ANO / ANO Receita líquida 7,9 7,4 8,1 6,8pct Ebitda 3,9 2,6 4,0 50pct Margem Ebitda 49 35 49 1.400bps Lucro líquido 2,3 1,6 2,9 44pct

Edição de Marcelo Teixeira

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