27 de Março de 2008 / às 15:55 / 9 anos atrás

Caminhoneiros e produtores rurais entram em choque na Argentina

BUENOS AIRES (Reuters) - A greve do setor agropecuário na Argentina, que mantém dezenas de estradas bloqueadas e ameaça a distribuição de alimentos no país, ingressou na quinta-feira em seu 15o dia com choques entre produtores rurais e caminhoneiros, enquanto o governo preparava uma manifestação de apoio a suas medidas.

Há mais de duas semanas, a zona rural da Argentina mantém-se em pé de guerra devido a um aumento nos impostos sobre a exportação de grãos, algo visto como uma nova ingerência do governo federal no setor agropecuário.

Mas a presidente do país, Cristina Fernández, segundo a qual os negócios do setor continuam a ser altamente rentáveis, não dá sinais de que cederá às pressões.

Em Córdoba, a principal Província produtora de roja da Argentina --o maior exportador mundial de derivados dessa planta --, os caminhoneiros, indignados com o fechamento das estradas, perderam a paciência e lançaram-se contra os produtores rurais.

Alguns deles desceram de seus veículos e começaram a retirar das rodovias cadeiras, paus e outros artefatos. Outros contornaram um veículo colocado em uma estrada e acusaram os manifestantes de espalhar objetos metálicos nas pistas a fim de perfurar seus pneus.

O conflito já tornou escassa a oferta de carne e laticínios em vários supermercados de Buenos Aires, ao passo que a decisão de Cristina sobre não negociar com os manifestantes provocava enfrentamentos violentos entre manifestantes pró e contra o governo.

Na quarta-feira à noite, o governador da Província de Buenos Aires, Daniel Scioli --tido como um político com bom diálogo com vários setores--, surgia como uma figura em potencial para mediar um contato entre o setor agropecuário e o governo.

No entanto, na quinta-feira, essa possibilidade foi desmentida por representantes da dirigente argentina, o que faz com que o embate permaneça no mesmo ponto em que estava desde seu início, 15 dias atrás.

Enquanto os ministros do governo federal continuavam assegurando que não haverá negociações até que se retome a "sensatez" e se suspenda a greve, setores aliados da líder do país e o ex-presidente Néstor Kirchner organizavam uma manifestação para a tarde de quinta-feira a fim de mostrar o apoio popular a suas medidas.

Nesse ato, a única pessoa a discursar deve ser Cristina, que ganhou com facilidade as eleições de 2007 com o apoio de setores mais pobres da sociedade argentina, em especial da região urbana que cerca Buenos Aires.

"Néstor Kirchner realizará hoje um ato com os líderes de bairros (de Buenos Aires). Eles são os únicos que podem acompanhá-lo; os moradores da zona rural estão mais próximos das manifestações do que do poder central", escreveu o colunista Joaquín Morales Solá, no jornal La Nación.

Reportagem de César Illiano

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