27 de Agosto de 2008 / às 11:42 / em 9 anos

ATUALIZA2-Crise externa faz Tesouro rever meta da dívida pública

(Texto atualizado com mais comentários do secretário do Tesouro)

SÃO PAULO/BRASÍLIA, 27 de agosto (Reuters) - A crise dos mercados financeiros internacionais fez com que o Tesouro Nacional anunciasse nesta quarta-feira, pela primeira vez, uma revisão das metas do plano de financiamento da dívida pública do ano.

Das oito metas definidas no Plano Anual de Financiamento (PAF), três foram reduzidas. Em nota, o Tesouro reconheceu que o “aprofundamento da instabilidade no cenário internacional” forçou as mudanças.

Ao mesmo tempo, o Tesouro lembrou que “os elevados superávits fiscais” permitem ao governo ter “maior flexibilidade na gestão da dívida”.

“Em função das condições do mercado, em função também de fatores positivos como, por exemplo, um (superávit) primário maior, isso tudo nos levou a ter um ajuste no plano para esses últimos meses do ano”, afirmou a jornalistas o secretário do Tesouro, Arno Augustin.

A partir de agora, o Tesouro espera um aumento menor da dívida. O estoque deverá ficar numa faixa entre 1,36 a 1,42 trilhão de reais, abaixo da faixa anterior, entre 1,48 e 1,54 trilhão de reais.

A dificuldade de obter financiamento nos mercados também vai trazer empecilhos à estratégia do Tesouro de ampliar a participação dos títulos prefixados no estoque da dívida.

Pelos cálculos do governo, estes papéis --que são considerados melhores para a administração, uma vez que o governo sabe de antemão quanto terá que pagar aos investidores-- responderam por algo entre 29 e 32 por cento do estoque da dívida ao final do ano.

Originalmente, a expectativa do Tesouro era encerrar o exercício de 2008 com os prefixados respondendo por algo entre 35 e 40 por cento de toda a dívida pública.

MAIS PÓS-FIXADOS

A consequência direta dessa maior dificuldade em colocar títulos prefixados foi o aumento do limite de participação de títulos com correção pós-fixada, ou seja, atrelada à variação da taxa básica de juro.

De acordo com o Tesouro, estes papéis deverão responder por 31 a 34 por cento do estoque da dívida em dezembro. Inicialmente, o governo esperava manter estes títulos entre 25 e 30 por cento da dívida.

“É sabido que o Tesouro não vinha conseguindo alcançar as metas anunciadas no PAF, diante da demanda menor por títulos prefixados e menos apetite de estrangeiros”, citou o estrategista-chefe do BNP Paribas no Brasil, Alexandre Lintz.

“Para alcançar as metas iniciais seria necessário uma oferta maciça de títulos prefixados mais longos, resultando em pressão adicional sobre a curva de juros.”

O banco lembrou, em relatório, que neste ano --até julho-- a oferta de prefixados estava sendo equivalente a 13 bilhões de reais por mês. Levando em conta os novos alvos, o banco calcula que a oferta deveria ser de 10 bilhões de reais para ficar no centro da meta e de 4 bilhões de reais para o piso.

Reportagem de Renato Andrade e Ana Nicolaci da Costa, colaborou Daniela Machado

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