28 de Maio de 2008 / às 16:32 / 10 anos atrás

Sindicato vê mais demissões enquanto Nossa Caixa negocia com BB

Por Aluísio Alves

SÃO PAULO, 28 de maio (Reuters) - Enquanto avançam as conversações para a possível venda do controle ao Banco do Brasil (BBAS3.SA), a Nossa Caixa BNCA3.SA acelera um programa interno de demissões e de revisão de contratos de prestação de serviços.

Segundo o Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região, onde estão cerca de 40 por cento dos 15 mil funcionários da instituição, o ritmo de dispensas cresceu nas últimas semanas, dentro de um plano de demitir 900 funcionários até junho, sobretudo aposentados ou empregados próximos da aposentadoria.

O relatório da Nossa Caixa com os resultados do primeiro trimestre apontou que, no período, houve 256 demissões.

O banco confirma que as demissões continuam, mas evita falar em números e nega qualquer relação da medida com o anúncio de que o BB, controlado pelo governo federal, iniciou tratativas para comprá-lo.

“Trata-se de uma renovação de quadros, dentro de um processo normal de substituição. Não tem nada a ver com possível compra pelo Banco do Brasil”, disse a Nossa Caixa à Reuters por meio de sua assessoria de imprensa, ressaltando que o banco também contratou 133 pessoas entre janeiro e março deste ano.

A Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo informou que não comenta o assunto, que diz respeito à gestão do banco.

O Sindicato já teve um encontro com a diretoria do BB na última sexta-feira, de quem obteve o compromisso de não fazer demissões na Nossa Caixa caso a venda seja concretizada.

“O problema é que essas demissões estão acontecendo por antecipação. Por isso, queremos um compromisso do governador (José Serra) para suspender e rever demissões”, disse Luiz Cláudio Marcolino, presidente do Sindicato.

Na terça-feira, a Nossa Caixa confirmou que o Banco do Brasil passou a ter acesso a dados sigilosos do banco paulista, enquanto bancos privados reclamam da negociação em separado e defendem a realização de um leilão.

RATING PROTEGIDO

A agência de classificação de risco Fitch divulgou um relatório nesta semana adiantando que os ratings do Banco do Brasil não devem mudar caso a incorporação da Nossa Caixa seja concretizada.

Embora tenha observado que o ágio envolvido na compra deve enfraquecer o patrimônio do BB, que já apresenta uma parcela substancial de ativos intangíveis (55 por cento do patrimônio líquido), historicamente um dos fatores de preocupação da agência, outros fatores serão positivos para o banco federal.

“A aquisição provavelmente irá reforçar a estratégia de atuação do BB em segmentos onde detém participação relevante, dentro de um ambiente competitivo”, diz trecho do relatório.

A Nossa Caixa conta com depósitos judiciais de 15 bilhões de reais, o que representa uma importante base de captação a custos muito baixos (TR mais 6 por cento ao ano), além de depósitos de poupança no montante de 10 bilhões de reais.

Edição de Alexandre Caverni

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