28 de Outubro de 2008 / às 18:56 / em 9 anos

CONSOLIDA-Crise eleva pressão por reformas estruturais no Brasil

Por Isabel Versiani

BRASÍLIA, 28 de outubro (Reuters) - Representantes da indústria e da oposição fizeram nesta terça-feira forte cobrança para que o governo corte gastos e promova reformas estruturais como forma de fortalecer a economia brasileira diante da crise financeira internacional.

“Tem que se ter a coragem de fazer cortes (de despesas correntes) para fazer investimentos”, afirmou o empresário Jorge Gerdau Johanpetter durante evento promovido pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), que contou com a presença do ministro da Fazenda, Guido Mantega.

“Não podemos enfrentar essa crise com o nosso custo fiscal.”

O deputado e presidente da CNI, Armando Monteiro Neto (PTB-PE), afirmou que a mudança rápida do cenário mundial tem provocado a reprogramação de projetos de investimento. Ele criticou o governo por não ter aproveitado o período favorável para fazer as mudanças necessárias.

“O país não tem avançado quanto deveria. É importante nossa ação, mais do que nunca, por reformas que reduzam o custo da economia”, disse Monteiro Neto.

Mantega defendeu a ação do governo, listando algumas das medidas adotadas ao longo dos últimos anos e a preocupação com o equilíbrio fiscal. Também frisou que o governo tem se empenhado pela aprovação da reforma tributária.

“O projeto será analisado pela comissão especial esta semana e deve ser aprovado na Câmara ainda neste ano”, afirmou o ministro.

Mantega acatou, no entanto, críticas feito pelo senador Tasso Jereissati (PSDB-CE) de que o governo estaria falhando ao comunicar as medidas emergenciais para prover liquidez à economia.

Nas últimas semanas, segundo o ministro, o governo já liberou cerca de 50 bilhões de reais em recolhimentos compulsórios para elevar os recursos disponíveis para instituições financeiras de pequeno e médio portes.

Uma medida provisória assinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva também autorizou os bancos públicos a adquirir bancos privados e, no caso da Caixa Econômica Federal, também participação em empresas.

Para Jereissati, apesar de irem na direção correta, as medidas têm contrastado com um discurso excessivamente otimista do governo, o que reduziria a confiança em sua atuação.

“Talvez esteja correto em avaliação de que não estamos comunicando corretamente”, afirmou Mantega. “Vamos olhar melhor essa questão.”

MAIS PRAZO PARA IMPOSTOS

Apesar de frisar a preocupação do governo com o equilíbrio fiscal, Mantega afirmou que o governo cogita ampliar temporariamente os prazos que as empresas têm para pagar impostos --de modo a aumentar os recursos disponíveis para capital de giro.

Ao responder ao pleito de Monteiro Neto nesse sentido, Mantega afirmou: ”Essa medida evidentemente está sendo cogitada.

Mantega disse ainda que nesta quarta-feira o governo anunciará uma linha de financiamento específica para o setor de construção civil, com recursos da Caixa Econômica Federal, no valor de cerca de 3 bilhões de reais.

Para o presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), Paulo Simão, os recursos devem ser suficientes para fazer face às necessidades do setor em 2009. “A linha deve ser usada para o desconto de recebíveis e outras operações para capital de giro”, afirmou a jornalistas.

SANGUE A VAMPIROS

O presidente da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), Luiz Aubert Neto, comparou as medidas emergenciais tomadas pelo Banco Central para tentar restaurar a liquidez da economia ao ato de “dar sangue a vampiros”.

“As medidas estão corretas, mas os bancos estão represando esse crédito”, avaliou.

“A grande medida que o governo pode tomar é aproveitar este momento para fazer as reformas estruturais que o país precisa fazer”, acrescentou ele, destacando que as reformas trabalhista e tributária são as prioritárias.

Edição de Daniela Machado

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