28 de Maio de 2008 / às 15:17 / 9 anos atrás

Economistas começam a elevar previsão de IPCA de maio

Por Vanessa Stelzer

SÃO PAULO (Reuters) - Os alimentos continuam exercendo a principal pressão sobre a inflação, de acordo com dois indicadores divulgados nesta quarta-feira. Em São Paulo, eles tiveram a maior variação de alta desde 2003 e no IPCA-15 responderam por metade da taxa geral.

A perspectiva de que esse impacto não arrefecerá no curto prazo e uma surpresa com as tarifas bancárias já levaram alguns economistas a elevar a previsão para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) do mês, de 0,60 para 0,63 por cento.

No IPCA-15, considerado uma prévia do IPCA, os alimentos diminuíram ligeiramente o ritmo de alta --para 1,26 por cento em maio ante 1,28 por cento em abril-- em razão da queda nos custos de pescados, aves e ovos, frutas e, ainda, cereais, leguminosas e oleaginosas.

Mas produtos em entresafra, ou que reagem ao clima, e os que seguem as cotações internacionais de commodities mantiveram-se em forte alta, como carnes, farinhas, panificados, tubérculos, raízes e legumes, além de hortaliças e verduras.

Assim, a alta do grupo Alimentação foi responsável por 0,28 ponto percentual da variação de 0,56 por cento do IPCA-15 de maio, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

“A pressão de alimento deve piorar no final do mês (IPCA de maio), porque não vemos arrefecimento de produtos importantes como o arroz”, afirmou Priscila Godoy, economista do ABN Amro, ao comentar a elevação do prognóstico para o IPCA do mês.

“A alta dos alimentos vem principalmente dos tradables (comercializáveis)”, que são os produtos que acompanham o cenário externo, em que as cotações das commodities seguem elevadas.

Devem continuar acelerando também os preços dos alimentos in natura --que haviam caído recentemente-- e das carnes --que costumam subir nesta época do ano.

Gian Barbosa, economista da Tendências Consultoria, citou ainda a forte alta, de 5,28 por cento, das tarifas de serviços bancários, ao falar da revisão de sua estimativa.

PANIFICADOS NO IPC-FIPE

O outro indicador desta quarta-feira, o Índice de Preços ao Consumidor (IPC), superou a previsão do mercado. A elevação foi de 1,08 por cento na terceira quadrissemana do mês, ante 0,89 por cento na segunda, informou a Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe). Economistas consultados pela Reuters previam taxa de 0,96 por cento.

No dado da Fipe, os custos do grupo Alimentação avançaram 2,61 por cento, frente à alta de 1,77 por cento na leitura anterior. Foi a maior variação desde a segunda quadrissemana de janeiro de 2003.

Apesar da surpresa negativa com o IPC-Fipe, o mercado de juros futuros concentrou-se na desaceleração do IPCA e na queda dos preços internacionais do petróleo e abriu em queda.

A tendência, no entanto, continua sendo de alta antes da reunião da semana que vem do Comitê de Política Monetária (Copom).

“O cenário preocupa. O comportamento do atacado preocupa ainda. No curto prazo, a gente não deve ter uma desaceleração dos alimentos ou da inflação”, afirmou Roberto Padovani, estrategista sênior de investimentos para a América Latina do WestLB do Brasil. Ele manteve o prognóstico para o IPCA de maio em 0,60 por cento, ante 0,55 por cento em abril.

O IBGE divulga o IPCA de maio no dia 11 de junho.

0 : 0
  • narrow-browser-and-phone
  • medium-browser-and-portrait-tablet
  • landscape-tablet
  • medium-wide-browser
  • wide-browser-and-larger
  • medium-browser-and-landscape-tablet
  • medium-wide-browser-and-larger
  • above-phone
  • portrait-tablet-and-above
  • above-portrait-tablet
  • landscape-tablet-and-above
  • landscape-tablet-and-medium-wide-browser
  • portrait-tablet-and-below
  • landscape-tablet-and-below