29 de Setembro de 2008 / às 21:47 / 9 anos atrás

Apesar de tensões, tucanos e democratas vêem aliança no 2o turno

SÃO PAULO, 29 de setembro (Reuters) - A seis dias da eleição, tucanos e democratas mantêm a disposição de fechar um acordo para disputar o segundo turno em São Paulo, tendo pela frente a petista Marta Suplicy. Tensões e bate-bocas serão superados, afirmam.

O PSDB não admite, no entanto, que a aliança já esteja fechada a favor do prefeito Gilberto Kassab (DEM), antes mesmo do resultado das urnas. Esta versão emergiu depois que Kassab ultrapassou o candidato Geraldo Alckmin (PSDB) pela primeira vez nas pesquisas de intenção de voto divulgadas no fim de semana.

Pelo Datafolha, Kassab está com 24 por cento e Alckmin, 20 por cento. No Ibope, o prefeito tem 25 por cento e o tucano os mesmos 20 por cento.

Sérgio Guerra, presidente nacional do PSDB, disse nesta segunda-feira à Reuters que, sem o resultado da eleição, ainda não há um debate concreto entre os dois partidos sobre a aliança no segundo turno. Ainda assim, acredita que há “uma lógica” em reportagem divulgada pela imprensa dando conta que o partido já decidiu apoiar Kassab. Mesmo assim, divulgou nota rebatendo as informações.

Defensor da candidatura de Alckmin no partido, Guerra afirma que elevação de tom por parte do ex-governador contra Kassab não fecha as portas do DEM ao tucano, caso ele ultrapasse o primeiro turno. Já houve gestões diplomáticas entre os dois partidos para apaziguar os ânimos.

O ex-senador e ex-presidente do DEM Jorge Bornhausen, que participa das articulações da candidatura de Kassab, também citou a lógica, mas para apostar na aliança independentemente do candidato.

“Os episódios de campanha estarão superados porque tanto o PSDB como o Democrtas têm um adversário comum que é o PT. A lógica é que os dois se somem e os episódios de campanha serão superados”, afirmou.

Ele citou ainda o PPS como outra legenda que deve se somar à coligação em São Paulo, hoje concorrendo com a vereadora Soninha Fancine.

Kassab, que já trabalha com tucanos na gestão da cidade, apostou mais uma vez na aliança.

“Evidente que eu queria cumprimentar todos os dirigentes do PSDB e do Democratas que têm essa linha de raciocínio (do acordo). É evidente que vamos estar no segundo turno trabalhando juntos. Nós temos o adversário em comum que é o PT”, disse o prefeito a jornalistas após caminhada no bairro do Bom Retiro, região central da cidade.

Alckmin foi ainda mais genérico. “No segundo turno, eu quero o voto de todos os eleitores, se estiver na disputa”, disse ele a jornalistas após caminhada pelo bairro da Mooca, zona leste da cidade.

Com o objetivo de acalmar os ânimos dos dois partidos, um tucano que apóia Kassab propôs um período de silêncio aos partidos até domingo, data da eleição, deixando a campanha apenas para os candidatos. “Para permitir a recostura das legendas”, disse.

Reportagem de Carmen Munari e Maurício Savarese; Edição de Mair Pena Neto

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