29 de Maio de 2008 / às 15:10 / em 9 anos

Para ANP, décima rodada em 2008 é praticamente inviável

Por Elisabete Tavares

LISBOA (Reuters) - Não deverá haver tempo hábil para a realização ainda em 2008 da décima rodada de licitações de blocos exploratórios de petróleo e gás no Brasil, de acordo com o superintendente de Abastecimento da ANP (Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis), Edson Silva.

“Neste momento, a perspectiva mais razoável é que não tenha a décima rodada esse ano”, disse Silva à Reuters.

“Já estamos em maio e tememos que não tenha décima rodada esse ano. A rigor, se o governo liberasse agora, seria praticamente inviável fazer esse ano”, afirmou.

A ANP vem promovendo anualmente rodadas de licitação de novas áreas de exploração desde 1999, quando a primeira rodada foi realizada, após mudança na legislação brasileira com a promulgação da Lei do Petróleo, que acabou com o monopólio da Petrobras na exploração.

Foram realizadas nove rodadas de licitações, apesar de a oitava rodada ter sido interrompida no meio, após problemas com ações na Justiça, e ainda não ter sido retomada.

Agora, o atraso se deve à intenção do governo de reformular algumas políticas relacionadas aos ganhos do Estado nos projetos, depois das grandes descobertas na camada pré-sal. Vários blocos foram retirados da nona rodada, no ano passado, devido à nova conjuntura.

Edson Silva disse que, neste momento, a ANP defende junto do governo que seja retomada a oitava rodada, adiantando: “estamos oferecendo três alternativas”.

Ele explicou que as alternativas passam por: “que retome formalmente e que encerre com o que já foi leiloado; que retire blocos do pré-sal que estão na oitava rodada e retomar a oitava rodada sem os blocos do pré-sal”.

“E a terceira, que achamos como a mais razoável, que retome e realize a oitava rodada, conclua tal como foi prevista há dois anos atrás”, afirmou.

BEM-TE-VI

A ANP ainda não tem confirmação da Petrobras quanto ao potencial de reservas do bloco petrolífero Bem-te-vi (BMS-8), no pré-sal da bacia de Santos, disse Silva.

No dia 21, a Petrobras anunciou que os testes no bloco confirmaram a existência de petróleo leve.

“A Agência não tem ainda nenhuma comunicação oficial dos operadores sobre o potencial desses poços dos campos do pré-sal”, disse Silva.

Ele afirmou que “os operadores estimam nos próximos três a cinco anos terem condições de oferecer informação consolidada da capacidade”.

Mas disse que a perfuração dos campos deverá confirmar as notícias de enormes reservas.

“O cenário para os poços que estão a ser perfurados pela Petrobras (...) apontam para perspectivas radiantes”, disse.

“Tudo indica que as notícias que têm vindo a ser publicadas sobre os campos do pré-sal venham a se confirmar. Estou absolutamente confiante”, afirmou Edson Silva.

O Bem-te-vi é operado pela Petrobras e a portuguesa Galp Energia tem uma participação de 14 por cento.

Silva estima que, “nos próximos cinco anos, o preço do petróleo não ficará muito diferente dos níveis de hoje”, em redor dos 130 dólares do barril, adiantando: “a esse custo será rentável para as petrolíferas retirar petróleo do pré-sal”.

“A época do petróleo barato terminou, não vejo que sai dessa faixa dos 130 dólares o barril”, afirmou, referindo que não está, contudo, no horizonte imediato o preço de 200 dólares.

Edição de Marcelo Teixeira e Denise Luna

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