1 de Agosto de 2008 / às 19:28 / 9 anos atrás

ELEIÇÃO-PT disputa 19 capitais e prioriza aliança com PMDB

Por Carmen Munari

SÃO PAULO, 1o de agosto (Reuters) - Nesta eleição, o PT vai evitar ao máximo o anúncio de uma meta de prefeituras que o partido pretende conquistar. Ficou escaldado com a campanha de 2004, quando um dirigente falou em mil cidades e o saldo foi de 411 em todo o país.

Mesmo ocupando na Presidência da República, o PT conquistou há quatro anos menos de 10 por cento das 5.565 prefeituras do país, mas cresceu 120 por cento em relação ao desempenho da eleição de 2000, quando ganhou apenas 187 delas. Enquanto o PT cresceu, os adversários (PSDB e DEM), e o agora aliado PMDB, sofreram redução.

“Não vamos fixar uma meta pública porque isso vira uma competição de avaliações. Mas claro que temos metas internas”, disse à Reuters o deputado Ricardo Berzoini, presidente nacional do PT.

Em outra frente, o partido --conhecido pela concentração de poder-- realizou levantamento minucioso que aponta um ligeiro aumento das alianças com partidos aliados em capitais e cidades com mais de 200 mil habitantes.

Em 2004, a legenda teve candidaturas próprias em 65 capitais e municípios com mais de 200 mil habitantes e fez alianças em 14. Neste ano, concorre com candidaturas próprias em 58 cidades e se aliou em outras 21. As alianças atingiram 18 por cento do total em 2004 e 27 por cento neste ano, o que mostra crescimento nas adesões.

Na soma, os municípios em que o PT está concorrendo sozinho ou em coligação são os mesmos que em 2004 e neste ano: 79, sendo 19 capitais. Dados do partido indicam que essas cidades representam 36 por cento do eleitorado e reúnem 46 milhões de eleitores.

Berzoini acredita que o partido tem candidaturas “viáveis” neste ano. Nas capitais, pesquisa Datafolha divulgada na semana passada indica que o PT, como cabeça de chapa, lidera em São Paulo, com Marta Suplicy, empatada tecnicamente com Geraldo Alckmin (PSDB).

Em Porto Alegre, o empate é no segundo lugar, entre a petista Maria do Rosário e Manuela D’Ávila (PCdoB). Também em Recife o empate é na vice-liderança, entre João da Costa (PT) e Cadoca (PSC).

Em Fortaleza, o Datafolha mostra um novo empate para o partido, desta vez entre a prefeita Luizianne Lins (PT) e Moroni Torgan (DEM) na liderança. Na capital de Minas Gerais, o PT não apovou um acordo formal com o PSDB, mas mesmo assim as duas legendas compartilham a adesão ao candidato Márcio Lacerda (PSB), ex-secretário tucano, que aparece em terceiro lugar nas pesquisas.

PMDB NA FRENTE

O principal aliado do partido nesta eleição é o PMDB, seguido pelo PSB, PDT e PCdoB, entre outras legendas menores. Trata-se de uma mudança do PT, que em 2004 não apoiou um único canidato peemedebista.

As concessões ao PMDB incluíram o apoio à reeleição do ex-adversário Iris Rezende em Goiânia, em que o PT é vice na chapa. Ex-governador de Goiás por dois mandatos, Iris foi ministro do governo Fernando Henrique Cardoso (PSDB, 1995-2002) e derrotou o então prefeito Pedro Wilson, do PT, em 2004.

“Na eleição, o PT luta para manter as diretrizes nacionais. Fizemos alianças com partidos de esquerda e com os partidos da base de Lula, com atenção especial ao PMDB por ter apoiado o presidente”, disse Gleber Naime, membro da Executiva Nacional do PT e do Grupo de Trabalho Eleitoral da legenda.

Nas capitais onde o PMDB é “inimigo histórico” dos petistas, segundo Naime, as alianças foram rechaçadas, como Campo Grande, Porto Alegre e Recife.

Em cidades menores, no entanto, há um grande número de alianças com o PSDB, partido adversário no plano nacional, em coligações de apoio a um candidato que pode ou não ser originário de uma das duas siglas. Um levantamento preliminar do Tribunal Superior Eleitoral aponta aliança PT-PSDB em mais de mil cidades.

O partido vai expor nas campanhas as principais ações do governo Lula nas cidades, como os programas sociais do Bolsa Família e as obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Os petistas contam ainda com a participação do próprio presidente Lula nas campanhas, além dos ministros.

“É importante um partido forte após a crise de 2005 e para a sucessão presidencial de 2010, quando Lula não será candidato, mas será um excelente cabo eleitoral”, disse Naime, referindo-se ao mensalão.

Edição de Alexandre Caverni

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