29 de Outubro de 2008 / às 22:14 / em 9 anos

CONSOLIDA-Leilão de estradas em SP acha recursos em meio à crise

Por Alberto Alerigi Jr.

SÃO PAULO, 29 de outubro (Reuters) - O agravamento da crise de crédito ocorrido desde o último mês não impediu o governo do Estado de São Paulo de garantir 3,5 bilhões de reais em pagamentos de outorgas de rodovias nos próximos 18 meses, na segunda etapa do programa estadual de concessões.

Apesar de alta dos juros e redução nos prazos e de taxas de financiamento, bancos oficiais e comerciais e fundos de pensão viabilizaram lances vencedores em todos os cinco lotes de estradas licitados nesta quarta-feira. Esses lotes exigirão, além dos desembolsos das empresas com as outorgas, investimentos de 8 bilhões de reais ao longo de 30 anos de concessão.

O governador paulista, José Serra (PSDB), ao lado do prefeito reeleito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM), classificou o resultado como uma “vitória muito especial” diante da indefinição do cenário econômico gerada pela crise de crédito.

Segundo Serra, participaram do leilão os bancos Bradesco (BBDC4.SA), Itaú ITAU4.SA, Santander (SAN.MC), Banco do Brasil (BBAS3.SA) e o estadual Nossa Caixa BNCA3.SA. O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) também apoiou os cinco grupos vencedores, juntamente com os fundos de pensão Previ, Funcef e Petros.

A maior parte dos representantes dos grupos reclamou da época de realização do leilão, por causa das dificuldades ao financiamento de seus planos geradas pela crise, mas isso não impediu deságios de até 55 por cento sobre o teto de tarifas proposto no edital. Teto este, aliás, que já estava desafasado em cerca de 11 por cento uma vez que o governo estadual não reajustou em maio tarifas de pedágio dos trechos concedidos.

O leilão marcou a chegada em São Paulo de pelo menos dois grandes grupos que atuam em concessões rodoviárias: a Triunfo Participações TPIS3.SA, que obteve o lote mais disputado, as rodovias Ayrton Senna e Carvalho Pinto; e a Odebrecht, que conseguiu sua primeira rodovia no Brasil ao ser a única proponente para o lote da estrada Dom Pedro I, que tem 297 quilômetros.

O governo do Estado vai usar os recursos das outorgas em seu programa de recuperação de estradas, que em 2009 consumirá cerca de 800 milhões de reais. Dentro dos planos para os recursos estão obras de melhoria e ampliação da Marginal Tietê, um dos principais corredores de tráfego da capital.

Outro fator complicador do leilão foi a exigência aos vencedores de fazerem manutenção em cerca de 900 quilômetros de vias vicinais nas regiões das rodovias concessionadas, que somam ao todo 1.715 quilômetros

VENCEDORES

O dia começou com a vitória do consórcio formado pela construtora OAS e pela empresa de investimentos em infraestrutura Invepar, que tem concessões da Linha Amarela, no Rio de Janeiro, e na Bahia. O consórcio ofereceu deságio de 16,1 por cento em relação ao teto do edital para o lote da rodovia Raposo Tavares, de 444 quilômetros. Esse trecho exige pagamento de outorga de 634 milhões de reais, dos quais 20 por cento na assinatura dos contratos.

O lote seguinte foi o trecho oeste da Marechal Rondon, de 417 quilômetros e disputado por sete grupos. O vencedor foi o consórcio BR Vias, que já opera a Transbrasiliana (BR 153), que corta São Paulo de norte a sul. O grupo ofereceu deságio de 40,6 por cento.

Já o trecho leste da mesma rodovia, com 415 quilômetros, foi vencido pelo consórcio Brasinfra, formado pela brasileira Cibe Rodovias e pela portuguesa Ascendi. A Cibe já opera mil quilômetros de estradas no Rio Grande do Sul, 300 quilômetros em São Paulo e outros 371 quilômetros em Minas Gerais. O deságio oferecido foi de 13,09 por cento.

A Triunfo Participações ficou com as rodovias Ayrton Senna e Carvalho Pinto, que ligam a capital paulista a Taubaté em 142 quilômetros. O grupo ofereceu o maior deságio do leilão, 54,9 por cento e terá que desembolsar 594 milhões de reais em outorga e 903 milhões de reais em investimentos.

O leilão foi encerrado com o lote da rodovia Dom Pedro I, que teve apenas a Odebrecht oferecendo proposta que representou um desconto sobre o preço máximo do edital de apenas 6,01 por cento. O lote de 297 quilômetros é o que exige os mais pesados investimentos entre os cinco, 2,41 bilhões de reais, e o pagamento da outorga mais cara, 1,34 bilhão de reais.

Reportagem de Alberto Alerigi Jr.; Edição de Fabio Murakawa

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