29 de Abril de 2008 / às 19:23 / em 10 anos

Lula pede diplomacia de cooperação enquanto Paraguai eleva o tom

BRASÍLIA (Reuters) - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse nessa terça-feira que a política externa brasileira, em seus objetivos de longo prazo, deve se basear na cooperação e não no confronto.

<p>Lula pede diplomacia de coopera&ccedil;&atilde;o enquanto Paraguai eleva o tom. O presidente Luiz In&aacute;cio Lula da Silva em imagem de arquivo. Lula disse que a pol&iacute;tica externa brasileira, em seus objetivos de longo prazo, deve se basear na coopera&ccedil;&atilde;o e n&atilde;o no confronto. 16 de abril. Photo by Stringer</p>

A declaração de Lula, feita para jovens diplomatas em cerimônia no Itamaraty, foi entendida como recado ao pleito do Paraguai de rever a tarifa paga pelo Brasil pela energia excedente de Itaipu.

Embora negue rever o tratado de Itaipu, que criou a hidrelétrica binacional em 1973, estabelecendo que o excedente de energia fosse vendido ao parceiro, Lula tem se mostrado disposto a dialogar com o presidente eleito do Paraguai, Fernando Lugo, que teve como um dos motes de campanha a revisão do tratado.

“Nosso interesse de longo prazo é melhor defendido com a postura de cooperação e compreensão, assim obtemos mais resultados do que pela confrontação”, disse Lula em seu discurso no dia do diplomata.

Enquanto Lula buscou um tom conciliatório, o vice de Lugo, Federico Franco, em visita a Brasília nessa terça-feira, usou um discurso mais forte para defender a renegociação do preço da energia de Itaipu, que considera uma questão vital para o Paraguai.

“Esse é o princípio das conversas. Quando o Brasil vir que a autoridade paraguaia não se vende, vai mudar seu temperamento. Não vamos nos submeter, não vamos trair a vontade do povo”, disse Franco à Agência Brasil após encontro com o vice-presidente José Alencar, no Palácio do Planalto.

Maior usina hidrelétrica do mundo, com potência instalada de 14.000 MW, Itaipu é responsável por quase 20 por cento da energia consumida no Brasil. O Paraguai consome apenas 5 por cento da energia, vendendo os 45 por cento restantes que lhe cabem ao Brasil.

Por esse excedente, o Brasil paga 1,5 bilhão de dólares ao ano, mas o Paraguai fica com 400 milhões de dólares, já que 1,1 bilhão de dólares se destinam ao pagamento de dívidas do financiamento da obra da usina.

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