29 de Agosto de 2008 / às 20:23 / em 9 anos

CÂMBIO-Mercado externo orienta dólar no Brasil em setembro

Por Silvio Cascione

SÃO PAULO (Reuters) - A recuperação do dólar no cenário internacional deve ser a principal bússola do mercado de câmbio no Brasil em setembro, após a arrancada da moeda norte-americana em todo o mundo nas últimas semanas.

Agosto terminou com a maior valorização mensal do dólar em pelo menos uma década frente a uma cesta com as principais moedas internacionais . No Brasil, o dólar avançou 4,41 por cento, maior alta mensal desde maio de 2006.

Entre os fatores que ressuscitaram a moeda após vários anos de desvalorização, analistas citaram a queda das matérias-primas após meses de recordes sucessivos. A fraqueza econômica do Japão e da Europa também contribuiu, disseram.

Essa movimentação no exterior fez o dólar subir no Brasil mesmo com o nível relativamente alto dos juros e com a volta dos ingressos de recursos para o país --junho e julho haviam tido saída líquida de capitais.

Por isso, analistas são cautelosos em definir um rumo para a taxa de câmbio em setembro.

“A gente vai continuar sendo puxado pelo mercado internacional”, disse Mario Battistel, gerente de câmbio da Fair Corretora.

Segundo Joel Bogdanski, consultor de análise econômica do banco Itaú, isso “depende muito da evolução das commodities, que é uma coisa imprevisível”.

O petróleo, por exemplo, atingiu recorde de quase 150 dólares no começo de julho, mas terminou agosto perto de 115 dólares --queda de cerca de 20 por cento.

“Você pode ter um furacão nos Estados Unidos (por exemplo). É muito difícil de prever o que vai acontecer”, disse.

Na ausência de novidades, Bogdanski acredita que o dólar se mantenha perto da estabilidade durante setembro, sem uma tendência definida. “Precisa de uma surpresa, algo bem imprevisto, para que o dólar suba muito ou caia muito.” Para ele, o “natural” é que, nas atuais circunstâncias, o dólar fique entre 1,60 a 1,65 real.

O cenário internacional é importante também para orientar o comportamento dos investidores estrangeiros no país. Eles chegaram a acelerar a alta do dólar ante o real no começo de agosto, ao inverter suas posições no mercado futuro para apostar brevemente na valorização da moeda norte-americana.

Agora, eles exibem posições vendidas de cerca de 2 bilhões de dólares em derivativos cambiais na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F) --o que representa uma pressão, ainda que menor do que em meses anteriores, pela queda do dólar no Brasil.

“Este fato fortalece a perspectiva de que ao início de setembro, passado este momento de final do mês, o preço do dólar perca a sustentação no entorno de 1,62/1,63 real e recue a 1,60 real”, escreveu Sidnei Nehme, diretor-executivo da NGO Corretora, em relatório.

Analistas do banco francês BNP Paribas pensam diferente. “Vemos espaço para o dólar chegar ao nível de 1,65 real.”

“O Banco Central vai continuar com uma postura agressiva (em direção ao aumento dos juros). Isso só vai ajudar a minimizar o impacto da tendência global de alta do dólar, mas não vai revertê-lo”, comentaram em nota.

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