July 29, 2008 / 2:45 PM / 10 years ago

Volume de crédito no país cresce 14% no 1o semestre

Por Isabel Versiani

BRASÍLIA (Reuters) - O volume de crédito concedido pelas instituições financeiras no país cresceu 14 por cento na primeira metade do ano, o que reforça uma das principais preocupações do Banco Central em relação ao aquecimento da demanda e consequente pressão sobre os preços.

Em junho, as operações de crédito somaram 1,067 trilhão de reais, um aumento de 2,1 por cento em relação a maio, segundo dados divulgados nesta terça-feira pelo BC. Em 12 meses, a expansão do crédito foi de 33,4 por cento, em um quadro de estabilidade da inadimplência.

Se o crescimento do financiamento permanecer nesse ritmo, o estoque de crédito superará no final do ano os 40 por cento do Produto Interno Bruto estimados pelo BC, afirmou o chefe do Departamento Econômico, Altamir Lopes.

“O crescimento teria que ser de 24 por cento para se chegar a 40 por cento do PIB no final do ano”, disse. Ele ponderou, no entanto, que esse estoque ainda é relativamente baixo quando comparado a outras economias similares à brasileira.

Lopes acrescentou que as medidas contracionistas adotadas pelo governo ainda terão impacto mais consistente sobre o mercado de crédito. “Vai bater em algum momento.”

O estoque de crédito oferecido pelas instituições financeiras no país está atualmente em 36,5 por cento do PIB —pouco abaixo do maior patamar da série do BC, de 36,8 por cento, registrado em janeiro de 1995.

“As operações de crédito do sistema financeiro mantiveram, em junho, a trajetória de expansão observada ao longo do ano, evidenciando, entretanto, desaceleração no ritmo de crescimento dos financiamentos contratados com pessoas físicas, exceto das operações de arrendamento mercantil relacionadas a veículos”, detalhou o BC em nota.

O setor automotivo foi um dos principais beneficiados pelo bom ritmo de crescimento da economia ao longo do primeiro semestre, período em que foram registrados novos recordes de vendas e produção de veículos no país.

DE OLHO NO PREÇO

O Comitê de Política Monetária (Copom) do BC vem destacando em seus comunicados que o rápido crescimento do crédito tem sido um dos principais propulsores da atividade e a demanda “robusta” tem respondido, ao menos em parte, pelas pressões inflacionárias.

Para conter a alta dos preços, o Copom iniciou em abril um ciclo de aperto monetário —que foi engrossado na semana passada, quando a taxa básica de juro foi elevada em 0,75 ponto percentual, para 13,0 por cento ao ano, superando as expectativas da maioria dos analistas.

O aumento da Selic, que subiu 1,75 ponto percentual de abril até agora e se somou a uma elevação da taxação sobre os empréstimos, já gerou algum efeito sobre as taxas cobradas pelos bancos.

A taxa média de juro praticada em junho subiu para 38,0 por cento ao ano, frente a 37,6 por cento em maio. Para as pessoas físicas, o impacto foi maior e a taxa passou de 47,4 para 49,1 por cento em junho —maior nível desde março de 2007.

O spread bancário, que representa a diferença entre a taxa de captação dos bancos e a cobrada dos clientes, manteve-se em 24,5 pontos percentuais.

A inadimplência recuou para 4,0 por cento em junho, menor nível desde agosto de 2005 e abaixo dos 4,3 por cento de maio.

Altamir Lopes afirmou que a redução foi determinada, principalmente, por operações de instituições financeiras que venderam parte de suas carteiras de crédito a securitizadoras, que não entram nas estatísticas do BC. Se não fossem essas operações, a inadimplência teria ficado em 4,2 por cento no mês passado.

“Os números não me mostram nada de novo, a inadimplência está estável”, afirmou.

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